quarta-feira, 14 de abril de 2010

Psicológica

A menstruação atrasou.
- Culpa dos remédios que você tomou para a garganta – alguém disse.
De fato, havia tomado muita coisa. Mas, como quem tem cu tem medo, a possibilidade lhe rondou.
Pensou em como a vida mudaria e a cabeça rodava, mil rotações por minuto. Comunicou o namorado, pensou nas roupas, no dinheiro gasto com algodão e fraldas. “O algodão anda caríssimo!”.
Sentiu uma colicazinha, prenúncio do rio vermelho mensal. Nada de descer.
- Deve ser o estresse. Você anda meio esquisita mesmo.
De fato, o mundo estava ao contrário, tudo de cabeça para baixo. Mas não. Pensou no batizado, em quem seria convocada para a madrinha. Pensou no seu pai, ele jamais olharia na sua cara.
Contou à mãe, que fez escândalo e depois lhe receitou chás para acelerar a descida. Sem rampas, sem degraus. A situação continuava irredutivelmente reta. Nada de descer.
Fez teste de farmácia. Cinco minutos, os piores, no frio da madrugada. Pensou na criança indo à escola, queria uma menina, mas meninas menstruam. Ou não menstruam.
Preocupou-se tanto que vomitou. “Ai, o enjoo! Prenúncio de um ser”. O exame deu negativo. Mas embrulhou-se tanto o dia todo... A dúvida.
- É nada, é o estresse!
Às favas com o estresse. Pensou na licença maternidade, no seu pai que não lhe dirigiria a palavra, a mãe, que se intrometeria na educação do filhote. Mas quem para madrinha?
Fez o exame de sangue. As veias sumiram todas, pareciam borrar-se de medo. O enfermeiro entrou e disse contente: “então, vamos ver se tem neném aí?”
Queria matá-lo. Pensou nas gangorras emocionais das grávidas. “É isso, estou prenha!”
Pensou no colégio da criança, uma fortuna nos dias de hoje. Pensou na educação sexual, nas perguntas, nas roupas. As roupas infantis, um assalto.
- Você está tudo, menos grávida – era o que o teste parecia dizer.
As cegonhas dissiparam-se da sua cabeça.
Contudo, era necessário se pensar que a menstruação ainda não descera. Grávida não, mas vai que tinha outra coisa? Marcou consulta na ginecologista e pensou nos remédios, nos hormônios, das doenças malignas...

[continua]

5 comentários:

Maris Morgenstern disse...

e poucas coisas dão mais medo na vida q qdo ela não desce...

Mulheres de Atenas disse...

Hehehe
E na primeira vez em que uma situação assim acontece, menstruar é uma alegria que não tem preço!
Junto-me ao coro e torcida: Deve ser "só" stress!
Lily

Graci Polak disse...

Huhauahauhaua...

E o melhor de tudo é que, às vezes, não desce mesmo.

Daí que é que vira stress, haha

Mulheres de Atenas disse...

Tem coisas que só o gênero explica... haha

Bj,
Lola.

Daniel Savio disse...

Pelo menos, um problema foi solucionado...

Fique com Deus, menina.
Um abraço.