segunda-feira, 26 de abril de 2010

O fato é que

Todas as vezes que quero muito te falar e não consigo acontece algo. Não são as mil possibilidades do teu não, apenas. Geralmente uns fantasmas me assombram à porta, mas não é somente isso. É meu inconformismo, gritante, dessa minha ansiedade frouxa.
Incomoda-me o fato de que toda vez que tenho algo importante a te dizer, não me atendas. E depois, quando vens a me apresentar desculpas, elas não sejam mais necessárias (na verdade, em momento algum são). O momento passou.
Incomoda-me, sobretudo, o fato de querer te falar a toda hora, como se a voz aplacasse a ausência. E nessa espera rota, ter como resposta não uma voz, mas uma chamada quem me diz irritantemente: NÃO, NÃO, NÃO.
Mas o que mais me irrita, e de longe é o mais desesperador, é o fato de que te falar é uma necessidade minha e que tua voz, quando presente, me conforta sim, mas não é para sempre.
O fato é que eu, sempre errante, preciso aprender a lidar com meus assombros, com a ausência, com o vazio. Sozinha. Não quero dividir com ninguém o peso dos meus dias, o peso de qualquer coisa que me quebra, qualquer coisa que me trinca, qualquer coisa de angústia. Algo que me pesa e que nem deveria existir, mas, existindo, só a mim deve pesar, a mais ninguém.
Sozinha, hei de aprender a tua mansidão, a tua calma, a tua avidez de procurar sentido às coisas, quando todo o resto não tem mais sentido. Tudo o que mais me encanta.
Não quero criar a expectativa do todo dia, se o todo dia, a mim e a ti, não é possível. Não quero me entregar a espera doente do todo dia se, igualmente doente, depois virá o toda hora e toda hora, igualmente, não será possível.
Quero me curar para que, uma vez curada, livre e inteira, eu seja tua. E não um punhado de ausência.

7 comentários:

Graci Polak disse...

E eu entendi exatamente o que vc quis dizer.

...

Mulheres de Atenas disse...

Como é ruim um telefone que chama sem resposta. Já deletei o número do alcance das minhas mãos para evitar o sofrimento.
Todos os dias tenho a impressão de ver a sombra que tanto espero passar pela janela, voltando para trazer esse conforto do qual você fala. Porém, não quero me curar da entrega doente. Quero é adoecer por alguém que se entregue da mesma forma.
Bjs

BelaCavalcanti disse...

Ai, moça, pelamordedeus! Assim vc me deixa sem esperanças? Onde esta a mesma "autora-pessoa" que esreve esses textos??? Ela, seguramente é alguem de MUITA vida interior. Ela é seguramente, alguém de MUITA sensibilidade!!! Será que ela nao se olha no espelho e nao enxerga que, com esse potencial, ele pode ter MUITO mais do que um amor que a deixe "doente" - ainda que seja "doente-de-amor". Sei que vc usou a palavra adoecer, aqui, como uma metáfora... Mas, reflita, que quando queremos alguem de maneira desesperada, nao podemos querer a nos mesmas. Se amar e amar o parceiro, de uma forma que nao sufoque, é o primeiro passo para que esse amor seja feliz e dê certo. Espero que vc fique BEM e que o proximo texto reflita mais essa mulher inteligente que vc parece ser.

Daniel Savio disse...

Mas será este problema, você não se sente inteira por simplesmente não dizer a ele?

Fique com Deus, menina.
Um abraço.

Mulheres de Atenas disse...

Obrigada pelos conselhos, gente. Ainda bem que eu tenho vocês.

Mulheres de Atenas disse...

Sabe, eu até pensei que valeria outro post explicando o pq do blog, que não somos uma, mas sim três, como os posts de anos atrás demostram. Mas... né! Tudo bem, a criatividade de cada um é o que conta. E a gente nem sempre é racional (inteligente), pras coisas do coração geralmente se é à flor da pele, cafona e insegura. Como a Graci, tb te entendi, Ligia.

Beijo,
Lola.

BelaCavalcanti disse...

O fato é que: Se vc é quem eu penso, vc é muito lindinha, "dilicinha do papai" rsrs Fofinha, linda e atrapalhada!
Ps - De longe lhe observando, mas apos susto, com coraçao
pertinho ;-)