terça-feira, 20 de abril de 2010

Mario Benedetti




Hoje eu revi uma poesia que me fez lembrar porque eu gosto tanto deste autor latino americano e uruguaio. Sua sensibilidade frente ao sentimento humano, falando de forma simples sobre uma existência tão complexa e, acima de tudo, sendo um homem consciente e comprometido com os desafios do tempo que lhe coube e deixando um legado para os que viriam, fez com que me apaixonasse sem exitar.
Meu novo companheiro de estrada chama-se Mario Benedetti e faço isso não por banalidade, mas para que eu me lembre e repita em pensamento seus escritos nas curvas dessa vida.
Devido à minha procrastinação literária li somente há pouco tempo atrás o seu romance mais famoso, “A Trégua”. Nele, Benedetti traz a nós, em forma de um diário, a vida de Martín Santomé, que já se vai ladeira abaixo, como diz o próprio personagem. Com 50 anos ele espera a aposentadoria ansiosamente, para poder desfrutar do tão esperado ócio. Empregado de departamento de contabilidade, seu maior prazer no trabalho é a rotina, porque lhe permite viajar mesmo exercendo suas funções. De outro modo, teria que se concentrar naquilo que estava fazendo, assim, pode ocupar sua cabeça com seus devaneios, mesmo no exercício de suas atividades.
Tem poucas aspirações até o dia em que se descobre envolvido por uma jovem estagiária, com idade para ser sua filha. Depois disso, pra mim, vem a melhor parte do livro, onde reflete sobre o tempo, a idade, o tempo passado e o tempo futuro, sobre a vida, enfim. Tomei o cuidado para ler cada trecho vagarosamente, para degustar cada palavra e não perder o sentido das orações.
Este romance teve mais de uma centena de edições traduzidas em 19 idiomas e levada ao cinema, ao teatro, ao rádio e à televisão. De forma bela e simples ele mostra "como um grande amor pode ser uma trégua na vida".

Lola.

A poesia que revi:

Tática e estratégia

(Mario Benedetti)

Minha tática é
olhar-te
aprender como tu és
querer-te como tu és

minha tática é
falar-te
e escutar-te
construir com palavras
uma ponte indestrutível

minha tática é
ficar em tua lembrança
não sei como nem sei
com que pretexto
porém ficar em ti

minha tática é
ser franco
e saber que tu és franca
e que não nos vendemos
simulados
para que entre os dois

não haja cortinas
nem abismos

minha estratégia é
em outras palavras
mais profunda e mais
simples
minha estratégia é
que um dia qualquer
não sei como nem sei
com que pretexto
por fim me necessites.

3 comentários:

plinio disse...

sabe que nao gostei muito dese livro? Ele é tao clichê...

Daniel Savio disse...

Parece ser um bom livro, mas no final das contas, tanta a tatica com estratégia tem objetivo conquistar alquém...

Fique com Deus, menina Lola.
Um abraço.

Mulheres de Atenas disse...

Plínio, pra contribuir, argumente mais sobre sua opinião...

Bjs,
Lola.