Martina e Claudia
Martina e Claudia costumavam dizer que eram infinitamente amigas. Colegas de faculdade, encontravam-se sete dias por semana. Sabiam tudo uma da outra, desde a aquisição de calcinhas novas às crises familiares. Davam-se bem, além de tudo, porque adoravam conversar e beber juntas. Noites de sábado repletas de vinho e fofocas. Para quê homens, infantis, estúpidos e entendiantes, quando se tem grandes amigas?
Claro que nas devidas proporções. Não eram lésbicas, afinal, havia nos homens uma peça fundamental da qual só eles dispunham. E às vezes iam a festas, nas quais dividiam ainda mais histórias. Na metade da noite cansavam-se das rodadas de tequila, paravam no balcão e observavam a festa com rigor acadêmico. Era sua maior diversão. Aos seus olhos, os passos de funk tornavam-se ritos coreografados da dança do acasalamento, os caras que perseguiam as mulheres eram machos predadores. E Martina e Claudia se recusavam a desfilar como se estivessem na vitrine de um açougue, para serem aprovadas ou não por exemplares nada exímios do sexo oposto. As noites acabavam mais cedo, mas sempre havia muita gargalhada para passarem o domingo.
Tinham tido pouco amores para rechear o currículo. Martina dizia que todas as suas histórias de amor juntas não davam um curta-metragem. Claudia tinha uns amores aqui, outros acolá, mas sempre desprezíveis. No terceiro encontro, via que não dava mais. No início da faculdade, ela e um colega tinham feito a babaquice de trocar uns beijos. O irmão havia lhe aconselhado: nunca, jamais, fique com colegas de faculdade. Ou vira namoro ou vira um estorvo para quem você tem que olhar na cara pelos quatro anos.
Aurélio era baixinho, metido a besta e tinha um sotaque mineiro misturado com um paulista arrastado que não atraía Claudia de maneira nenhuma. Mas enredaram-se numa história cheia de idas e vindas, sem ninguém se assumir, com direito a copos de cerveja na cara, declarações públicas de ódio recíproco, provocações de ciúmes e até uma trágica festa de aniversário dela, em que ele beijou outra, para protesto de todos os amigos presentes.
Tapas e beijos que duraram anos. Para ela, restou o asco. Achava que a recíproca era verdadeira, até que descobriu, no fim do quarto ano, que Aurélio nutria um sentimento mais profundo. Ele achava que Claudia era a mulher da sua vida.
Ela sabia disso porque Martina lhe contou. Era para ela que ele declarou, depois de umas rodadas de chopp, que não conseguia esquecer a “garota cheia de nove horas”, como ele se referia a Claudia, que nem deu ouvidos para a história que a outra lhe contava. Pelo contrário, dava gargalhadas.
Sem os encontros presenciais da faculdade, o sentimento virou pó. Foi só numa noite de sábado, dois anos depois de formadas, regadas a vinho do Porto, que o fantasma de Aurélio apareceu, para minar a irmandade das amigas.
- Esse cara do filme me lembra o Aurélio... disse, sonolenta, Claudia.
- Nossa, o Aurélio. Há quanto tempo a gente não fala o nome dele. - respondeu Martina.
- Graças ao bom Deus!
Depois das gargalhadas habituais, Martina coçou os olhos e falou, assim, como quem conta uma história corriqueira:
- Ainda lembro dele se lamentando comigo. Tinha uma época que ele aparecia na minha casa todo dia, um dia até chorou. Eu o proibi um monte de vezes de ligar na sua casa ou de chegar para falar com você nas festas. Ele falava que não conseguia viver sem você. Que queria te ligar, aparecer na sua casa de madrugada, que acordava à noite aflito sem dormir e só você vinha na mente dele. - riu.
A outra ficou em um longo silêncio. Depois, virou para a amiga e perguntou firme:
- E por que você nunca me falou isso?
- Isso, o quê? Claro que falei, boba. Disse um par de vezes!
- Não disse não! Você disse que um dia ele, bêbado, veio se queixar. Essa história de ir na sua casa, todo dia, de não conseguir dormir sem mim, isso você nunca havia falado!
- Ah, você não ia dar bola mesmo... Eu disse para ele desencanar.
- O quê? E agora você quer decidir as coisas por mim? Em um caso desses é comum a gente pelo menos contar para a pessoa, para pelo menos ela saber o que acha e aí então tomar uma decisão! Se eu não queria nada com ele, era meu direito dizer isso para ele! Mas peraí... Só pode ter uma explicação. Você me contaria tudo, como sempre faz, a menos...
- A menos que o quê, Claudia?
- A menos que você fosse apaixonada pelo Aurélio, Martina! Você era?
A outra não respondeu. Ficou em silêncio, desviando o olhar da amiga.
Claudia apanhou as coisas e saiu. Nunca mais se viram, nunca mais trocaram uma palavra.
da inspirada por uma conversa das Mulheres em uma madrugada de sábado, Beatriz
domingo, 14 de setembro de 2008
domingo, 31 de agosto de 2008
Coisas de mulher (e não só.. )
Há algum tempo venho pensando sobre algumas coisas em relação a nós, mulheres. Não só as de Atenas, digo no geral, no gênero feminino. E me pergunto, puta que o pariu, porque tem que ser tão difícil essa vida de mulher? E não é mais uma “ladainha feminista?”, não! Falo sério! É em tudo, desde relações sociais, já ancoradas no machismo e blá blá blá, isso já vem mudando há muito tempo, mas num ponto ainda saímos perdendo..
Mulher é emotiva, sentimental, preocupada com tudo e todos. Mulher é uma máquina extremamente complexa, que depende de uma engenhosa engrenagem pra funcionar – permitindo-me a metáfora. Enfim, não é fácil ser do sexo feminino!
E aí, em busca de algumas explicações, e dialogando com algumas pessoas que sabem muito mais do que a simples Carolina, cheguei a algumas constatações (obviamente que nenhuma descoberta), que me fizeram e me fazem a olhar as coisas de formas um pouco mais relaxadas, digamos assim.
O que nos diferencia dos homens? De forma escancaradamente simplificada... o sexo, é claro. Sim, o órgão feminino e o masculino. Aí começa a diferença de tudo: para o homem é tudo pra fora e para a mulher é tudo pra dentro, you know?!
Simmmm!! Por que dizem que pra mulher é tudo mais complicado? Nós dizemos, os homens dizem... Mas, quer saber?? Tudo é mais complicado mesmo, mas não por nossa culpa, pela própria anatomia humana. Querem ver?
Então, em relação a descoberta da sexualidade, ao início da vida sexual, ao sexo, ao prazer. Pro homem é muito mais simples, pois ele já nasce com a sua genitália exposta, ele convive com ela o tempo inteiro, tem que pegar pra fazer xixi, na hora de coçar, a todo o momento isso ta muito visível pra ele, praticamente na mão – sem trocadilhos.
Ahhh!! Mas pra mulher não, as coisas são mais escondidas, não precisamos conviver com a nossa genitália, enquanto crianças e até uma certa idade ela praticamente não existe, a não ser pelo fato de que usamos pra fazer xixi, mas até aí o contato é indireto, a secamos com a intermediação de um papel. Entendem?!
Por isso a demora da mulher se descobrir mulher, da dificuldade das mulheres acharem o seu prazer nas relações, e tudo o mais. Tudo é mais velado, e sorte das mais ousadas que não se reprimem e partem para a descoberta, e o azar das outras reside no fato de se nascer mulher e por algum motivo, ou outro, demorar a se descobrir e muitas vezes não se descobrir nunca. Quem nunca ouviu a história da vovó que só serviu para a ‘procriação’?
Sei que esse assunto é muito mais complexo do que certas toscas constatações, mas garanto que as mulheres sabem muito bem o que isso significa. Depois de tudo tive pensando que uma nova disciplina deveria entrar para o currículo de todos, sem exceção, meninos e meninas, desde cedo, é a educação sexual. Não só o fato de aprender a colocar a camisinha na banana, mas a lidar com a sexualidade não como algo pavoroso, mas que faz parte da vivencia humana, pra quando chegar na vida adulta ter tudo mais claro e resolvido.
Foi-se a época em que o prazer era negado pela igreja, e muito menos vivemos em tribos africanas que as mulheres tem o seu clitóris cortado de seu corpo. O ser humano é o único ser dotado de mecanismos que podem levar ao prazer, no ato sexual, porque então negar isso, tem que mais é se conhecer, mulheres não deixemos que a anatomia nos prejudique ainda mais.. por favor!!
Bem, mas depois de tudo onde eu quis chegar?! Well, no fato de que somos mais encucadas que os homens, e somos mesmo, quer saber?! Mas tudo isso acima é o que nos forma, então, entendam – homens – pra gente é mais difícil mesmo, mas nem por isso nos faz coitadinhas... O negócio é ter claro algumas coisas – e isso é uma delas – e tentar levar da melhor forma possível. Conhecimento é chave de tudo – o meu e o seu.
ps. Praticamente o Jairo Bauer falando.. hahahahaha
mas tudo bem.. vcs me entenderam, né.. ou não!?
bjs e
até,
Carolina.
Mulher é emotiva, sentimental, preocupada com tudo e todos. Mulher é uma máquina extremamente complexa, que depende de uma engenhosa engrenagem pra funcionar – permitindo-me a metáfora. Enfim, não é fácil ser do sexo feminino!
E aí, em busca de algumas explicações, e dialogando com algumas pessoas que sabem muito mais do que a simples Carolina, cheguei a algumas constatações (obviamente que nenhuma descoberta), que me fizeram e me fazem a olhar as coisas de formas um pouco mais relaxadas, digamos assim.
O que nos diferencia dos homens? De forma escancaradamente simplificada... o sexo, é claro. Sim, o órgão feminino e o masculino. Aí começa a diferença de tudo: para o homem é tudo pra fora e para a mulher é tudo pra dentro, you know?!
Simmmm!! Por que dizem que pra mulher é tudo mais complicado? Nós dizemos, os homens dizem... Mas, quer saber?? Tudo é mais complicado mesmo, mas não por nossa culpa, pela própria anatomia humana. Querem ver?
Então, em relação a descoberta da sexualidade, ao início da vida sexual, ao sexo, ao prazer. Pro homem é muito mais simples, pois ele já nasce com a sua genitália exposta, ele convive com ela o tempo inteiro, tem que pegar pra fazer xixi, na hora de coçar, a todo o momento isso ta muito visível pra ele, praticamente na mão – sem trocadilhos.
Ahhh!! Mas pra mulher não, as coisas são mais escondidas, não precisamos conviver com a nossa genitália, enquanto crianças e até uma certa idade ela praticamente não existe, a não ser pelo fato de que usamos pra fazer xixi, mas até aí o contato é indireto, a secamos com a intermediação de um papel. Entendem?!
Por isso a demora da mulher se descobrir mulher, da dificuldade das mulheres acharem o seu prazer nas relações, e tudo o mais. Tudo é mais velado, e sorte das mais ousadas que não se reprimem e partem para a descoberta, e o azar das outras reside no fato de se nascer mulher e por algum motivo, ou outro, demorar a se descobrir e muitas vezes não se descobrir nunca. Quem nunca ouviu a história da vovó que só serviu para a ‘procriação’?
Sei que esse assunto é muito mais complexo do que certas toscas constatações, mas garanto que as mulheres sabem muito bem o que isso significa. Depois de tudo tive pensando que uma nova disciplina deveria entrar para o currículo de todos, sem exceção, meninos e meninas, desde cedo, é a educação sexual. Não só o fato de aprender a colocar a camisinha na banana, mas a lidar com a sexualidade não como algo pavoroso, mas que faz parte da vivencia humana, pra quando chegar na vida adulta ter tudo mais claro e resolvido.
Foi-se a época em que o prazer era negado pela igreja, e muito menos vivemos em tribos africanas que as mulheres tem o seu clitóris cortado de seu corpo. O ser humano é o único ser dotado de mecanismos que podem levar ao prazer, no ato sexual, porque então negar isso, tem que mais é se conhecer, mulheres não deixemos que a anatomia nos prejudique ainda mais.. por favor!!
Bem, mas depois de tudo onde eu quis chegar?! Well, no fato de que somos mais encucadas que os homens, e somos mesmo, quer saber?! Mas tudo isso acima é o que nos forma, então, entendam – homens – pra gente é mais difícil mesmo, mas nem por isso nos faz coitadinhas... O negócio é ter claro algumas coisas – e isso é uma delas – e tentar levar da melhor forma possível. Conhecimento é chave de tudo – o meu e o seu.
ps. Praticamente o Jairo Bauer falando.. hahahahaha
mas tudo bem.. vcs me entenderam, né.. ou não!?
bjs e
até,
Carolina.
domingo, 17 de agosto de 2008
Lutando por um chocolate
Furei a fila de novo para mostrar aquele tipo de coisa inútil mas que nos chamam a atenção por algum motivo... Recebi de um amigo este questionáriozinho e em vez de mandar para todo mundo, resolvi colocar aqui. Este é o tipo de coisa boba que nos faz pensar para onde estamos indo. Quase um epitáfio...
Parece idiota, mas sofri para responder!
Então, fique à vontade e saiba um pouco mais sobre a Helena.... e se quiser falar de você, responda também!
Eu quero: amor (em vários sentidos: amor de namorado, amor pela profissão, amor pela vida etc e tal)
Eu tenho: um diário que só eu leio
Eu acho: que as coisas só acontecem comigo
Eu odeio: a solidão
Eu sinto: saudades
Eu escuto: Nando Reis, Marisa Monte e O Teatro Mágico - e hoje tem uma rã coachando perto da minha janela
Eu cheiro: a um perfume que foi feito especialmente para mim (chique né?)
Eu imploro: que um dia eu tenha dinheiro suficiente para morar em Nova Iorque
Eu procuro: um namorado (huahuahua alguém se habilita?)
Eu arrependo-me: de não tê-lo beijado naquele dia, naquela foto
Eu amo: andar de bicicleta, sem rumo e ouvindo O Teatro
Eu sinto dor: quando eu vejo os sonhos morrerem (como quando vi o Diego Hypólito caindo e chorando)
Eu sinto a falta de: dinheiro
Eu me importo: com este mundo maluco em que vivemos
Eu sempre: choro antes de dormir
Eu não fico: satisfeita com menos do que eu esperava
Eu acredito: em Deus (com todas aquelas dúvidas que você sabe)
Eu danço: qualquer coisa se estiver com um 'pé-de-valsa' bem disposto a ser pisoteado (com ou sem hifen?)
Eu canto: quando estou dirigindo sozinha
Eu choro: (quase) sempre que sinto vontade
Eu falho: todos os dias
Eu luto: por um chocolate
Eu escrevo: diariamente (e às vezes secretamente) sobre minhas amarguras, alegrias, angústias e silêncios
Eu ganho: pouco
Eu perco: o amigo, mas não perco a piada (chavão, eu sei!)
Eu confundo-me: com as pessoas
Eu estou: magoada
Eu fico feliz quando: estou rindo com as pessoas que gosto
Eu tenho esperança: de ser uma profissional bem sucedida
Eu preciso: de dinheiro
Eu deveria: fazer dieta
Eu leio: menos do que gostaria
Eu sou: sincera
Eu faço: um macarrão como ninguém!
Eu vivo porque: tenho esperança no futuro
Eu tenho medo de: falhar
Eu desejo: uma certa pessoa
E eu poderia aumentar, mas sei que você não teria a paciência de saber mais sobre mim...
Mas, para finalizar:
Eu espero que: você tenha gostado e refletido sobre o que nós somos e para onde vamos...
Um abraço da azeda, mas nem tanto,
Helena
Parece idiota, mas sofri para responder!
Então, fique à vontade e saiba um pouco mais sobre a Helena.... e se quiser falar de você, responda também!
Eu quero: amor (em vários sentidos: amor de namorado, amor pela profissão, amor pela vida etc e tal)
Eu tenho: um diário que só eu leio
Eu acho: que as coisas só acontecem comigo
Eu odeio: a solidão
Eu sinto: saudades
Eu escuto: Nando Reis, Marisa Monte e O Teatro Mágico - e hoje tem uma rã coachando perto da minha janela
Eu cheiro: a um perfume que foi feito especialmente para mim (chique né?)
Eu imploro: que um dia eu tenha dinheiro suficiente para morar em Nova Iorque
Eu procuro: um namorado (huahuahua alguém se habilita?)
Eu arrependo-me: de não tê-lo beijado naquele dia, naquela foto
Eu amo: andar de bicicleta, sem rumo e ouvindo O Teatro
Eu sinto dor: quando eu vejo os sonhos morrerem (como quando vi o Diego Hypólito caindo e chorando)
Eu sinto a falta de: dinheiro
Eu me importo: com este mundo maluco em que vivemos
Eu sempre: choro antes de dormir
Eu não fico: satisfeita com menos do que eu esperava
Eu acredito: em Deus (com todas aquelas dúvidas que você sabe)
Eu danço: qualquer coisa se estiver com um 'pé-de-valsa' bem disposto a ser pisoteado (com ou sem hifen?)
Eu canto: quando estou dirigindo sozinha
Eu choro: (quase) sempre que sinto vontade
Eu falho: todos os dias
Eu luto: por um chocolate
Eu escrevo: diariamente (e às vezes secretamente) sobre minhas amarguras, alegrias, angústias e silêncios
Eu ganho: pouco
Eu perco: o amigo, mas não perco a piada (chavão, eu sei!)
Eu confundo-me: com as pessoas
Eu estou: magoada
Eu fico feliz quando: estou rindo com as pessoas que gosto
Eu tenho esperança: de ser uma profissional bem sucedida
Eu preciso: de dinheiro
Eu deveria: fazer dieta
Eu leio: menos do que gostaria
Eu sou: sincera
Eu faço: um macarrão como ninguém!
Eu vivo porque: tenho esperança no futuro
Eu tenho medo de: falhar
Eu desejo: uma certa pessoa
E eu poderia aumentar, mas sei que você não teria a paciência de saber mais sobre mim...
Mas, para finalizar:
Eu espero que: você tenha gostado e refletido sobre o que nós somos e para onde vamos...
Um abraço da azeda, mas nem tanto,
Helena
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Fulana de tal, no mundo real...
"Tudo quanto fazemos, na arte ou na vida, é a cópia imperfeita do que pensámos em fazer. Desdiz não só da perfeição externa, senão da perfeição interna; falha não só à regra do que deveria ser, senão à regra do que julgávamos que poderia ser. Somos ocos não só por dentro, senão também por fora, párias da antecipação e da promessa." Fernando Pessoa
Desde pequena Carolina pensava como seria sua vida adulta, podem me dizer que isso é comum entre todas as pessoas, mas, por outro lado, posso dizer que ela sonhava demais, e demasiadamente sonhando levava seus pensamentos às alturas. Imaginava o par perfeito, no lugar e no tempo exato - e de quebra com a trilha sonora que tocava na única rádio da cidade vizinha, considerando ser a perfeita.
Sonhava com o emprego em que seria reconhecida como grande profissional. Sendo grande profissional imaginava a casa modesta, não era de luxo. Modesta, mas só dela. Sim, adorava pensar que seria independente como certas mulheres que via em filmes ou novelas baratas.
Algumas vezes, Carolina se pegava aos prantos na janela olhando o infinito e escutando aquela música – aquela perfeita da rádio – e o momento em que estaria descendo uma escada e pulando nos braços daquele menino por quem escondia paixão platônica, como de costume.
Seu sonho sempre foi ver colado na testa das pessoas uma plaquinha, tipo um letreiro eletrônico, onde constaria o que cada pessoa achava sobre a menina Carolina. Cada detalhe, cada adjetivo. Para os de fora, percepção óbvia do que viria a ser sua extrema preocupação pelo que os outros pensavam dela – pobre criatura.
Um dia Carolina leu em qualquer canto que as pessoas que sonhavam demais eram medíocres, pois não viam na sua própria volta o que as cercava e que poderia ser tão bom quanto os sonhos. Mas aí já era tarde, Carolina sonhava, e depois de cada sonho vinha a frustração de não realiza-lo, ou pior, de achar que poderia fazê-lo sempre de forma diferente com aquilo que acontecia.
Mas não era culpa dela, afinal, quem ensinou Carolina a viver sonhando e perder a vida nos sonhos? Naquela altura ela não sabia mais, estava envolta em coisas que não tinha se dado conta que havia feito, e nem até onde tinha chegado, porque ela nunca esteve lá... e nem cá. Ela era apenas mais uma fulana de tal, perdida no mundo real. Era aquela Carolina que continuava esperando na janela.
Ps. Depois de longo período distante,
Carolina, como sempre, a do Chico.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Certezas
Eu tenho poucas certezas na vida e hoje eu descobri uma delas. Apesar do desespero, da insatisfação com muita coisa, dos sonhos que de alguma forma parecem interrompidos e da tristeza que tem me acompanhado nos últimos dias, eu sei qual a profissão que eu quero seguir. Estou no caminho. Eu amo as minhas letras e não as deles! É preciso explicar, então vamos lá.
Hoje acompanhei uma equipe de reportagem num trabalho para um jornal. Matéria especial, daquelas que só eu sei o quanto gosto de escrever. Daquelas que você conhece o personagem e se apaixona por sua história. Nestes casos, por mais longo que seja o texto e mesmo que receba elogios sobre quão completo ele está, haverá sempre a sensação de que muita coisa foi deixada de fora. Há uma certa tristeza em publicar, pois parece que a história não deveria terminar assim. E eu estava ali, mas não era a repórter. Era apenas a assessora.
E quando vi tudo isso percebi que estava segurando o choro, que são estes sentimentos que estão faltando na minha vida. Tomei consciência de que eu quero e talvez muito mais do que querer, eu preciso voltar a sentir tudo isso. Hoje e só hoje eu compreendo as falas de grandes profissionais, quando dizem que o amor é fundamental.
No final de tudo, não bastasse todo este sentimento, fui tentar por a casa em ordem, pois passei o dia todo 'borboleteando' por aí. Dentre as atribuições, precisava fixar alguns avisos nas salas de aula. Até que um amigo (e ele vai saber que foi ele e não deve se sentir culpado por isso) me disse algo mais ou menos assim: "Eu, quando fizer jornalismo, vou me dedicar para ir além de pregar cartazes". Foi uma brincadeira bem humorada e eu ri. Mas isso me faz ter mais uma certeza, eu sou maior do que isso. Eu sei fazer mais do que isso.
Não quero que o blog vire um espaço de lamentação. Ele também é maior que isso. Mas hoje eu precisava... E quero também ouvir, quais são as suas certezas?
Helena (Não estou azeda, mas um tanto amarga...)
PS: Carolina, por favor, sente aí e escreva alguma coisa e, se possível, mude de assunto.
Hoje acompanhei uma equipe de reportagem num trabalho para um jornal. Matéria especial, daquelas que só eu sei o quanto gosto de escrever. Daquelas que você conhece o personagem e se apaixona por sua história. Nestes casos, por mais longo que seja o texto e mesmo que receba elogios sobre quão completo ele está, haverá sempre a sensação de que muita coisa foi deixada de fora. Há uma certa tristeza em publicar, pois parece que a história não deveria terminar assim. E eu estava ali, mas não era a repórter. Era apenas a assessora.
E quando vi tudo isso percebi que estava segurando o choro, que são estes sentimentos que estão faltando na minha vida. Tomei consciência de que eu quero e talvez muito mais do que querer, eu preciso voltar a sentir tudo isso. Hoje e só hoje eu compreendo as falas de grandes profissionais, quando dizem que o amor é fundamental.
No final de tudo, não bastasse todo este sentimento, fui tentar por a casa em ordem, pois passei o dia todo 'borboleteando' por aí. Dentre as atribuições, precisava fixar alguns avisos nas salas de aula. Até que um amigo (e ele vai saber que foi ele e não deve se sentir culpado por isso) me disse algo mais ou menos assim: "Eu, quando fizer jornalismo, vou me dedicar para ir além de pregar cartazes". Foi uma brincadeira bem humorada e eu ri. Mas isso me faz ter mais uma certeza, eu sou maior do que isso. Eu sei fazer mais do que isso.
Não quero que o blog vire um espaço de lamentação. Ele também é maior que isso. Mas hoje eu precisava... E quero também ouvir, quais são as suas certezas?
Helena (Não estou azeda, mas um tanto amarga...)
PS: Carolina, por favor, sente aí e escreva alguma coisa e, se possível, mude de assunto.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Desabafo jornalístico
Li um conselho para jovens jornalistas: trabalhe mais do que o horário estipulado, sujeite-se a ganhar pouco, azucrine todos no meio para entrar no mercado. Profissão árdua essa. Trabalha-se muito, sem reconhecimento. Ganha-se pouco. Expectativa de aumento? Pfff, quase nula. Seu trabalho é submetido a crivos nada críveis. Censores, geralmente muito censores e pouco jornalistas.
Penso isso enquanto estou sentada, esperando para fechar um trabalho. Um trabalho no qual acredito, tenho que acreditar. Sentada nas escadas de uma tevê esquecida. Com cheiro e gosto de poeira na boca, depois de ter me embrenhado no mato para coletar imagens. Imagens não muito boas, sofridas.
Jornalista tem que amar, ter raça, vontade de pegar no batente. Jornalista não nasceu para ser empreendedor, se o fosse, deixaria de ser jornalista - diz a outra parte do texto que li.
E por que amar essa profissão se está cada vez mais difícil atingir estabilidade, ganhar dinheiro, crescer? Ou será que é fácil, mas ainda não encontrei a fórmula? Reúno três péssimas características para alguém que pretende subir na vida a passos largos. Sou mulher, sou jornalista e nunca precisei trabalhar para sobreviver. Só me resta a vontade de ser, fazer e crescer.
Nossa geração é acomodada, por acreditar que sentar a bunda em cadeira universitária por 4 anos seja o suficiente. Não. É preciso aprender com as gerações anteriores, pais e avós. Eles tinham, parece-me, mais necessidade e até mais criatividade. Sobrou-nos a vontade, que ora me escapa ante o desânimo e as dificuldades.
Beatriz, azeda.
Penso isso enquanto estou sentada, esperando para fechar um trabalho. Um trabalho no qual acredito, tenho que acreditar. Sentada nas escadas de uma tevê esquecida. Com cheiro e gosto de poeira na boca, depois de ter me embrenhado no mato para coletar imagens. Imagens não muito boas, sofridas.
Jornalista tem que amar, ter raça, vontade de pegar no batente. Jornalista não nasceu para ser empreendedor, se o fosse, deixaria de ser jornalista - diz a outra parte do texto que li.
E por que amar essa profissão se está cada vez mais difícil atingir estabilidade, ganhar dinheiro, crescer? Ou será que é fácil, mas ainda não encontrei a fórmula? Reúno três péssimas características para alguém que pretende subir na vida a passos largos. Sou mulher, sou jornalista e nunca precisei trabalhar para sobreviver. Só me resta a vontade de ser, fazer e crescer.
Nossa geração é acomodada, por acreditar que sentar a bunda em cadeira universitária por 4 anos seja o suficiente. Não. É preciso aprender com as gerações anteriores, pais e avós. Eles tinham, parece-me, mais necessidade e até mais criatividade. Sobrou-nos a vontade, que ora me escapa ante o desânimo e as dificuldades.
Beatriz, azeda.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Três textos curtos, três idéias longas
PS: Começo o texto com um PS para dizer que estou num momento, eu diria, etnocentrista, então, falei de mim, apenas...
Dualista
Deus... Intrigante demais para mim! É uma questão que está sempre comigo e que me faz lembrar de uma frase do Padre Zezinho: “Deus só se torna uma grande resposta quando faz dele sua maior pergunta”. E este questionamento anda sempre comigo. Com quem eu falo? Para quem eu faço meus pedidos e abro o meu coração? Não sei, falo com algo que é maior que eu, mas que ao mesmo tempo cabe dentro de mim.
Deus tem sido um mistério cada vez maior na minha vida. Quanto mais eu tento entendê-lo, mais complexo ele parece. Contudo, sinto-o cada vez mais próximo de mim.
Quando vou à igreja, como manda a sociedade, ao contrário do que deveria ser, Deus parece se afastar na fala do padre, nas brincadeiras das crianças, nos ritos repetitivos.
Falar com Deus é mais que palavras. Queria conversar mais com Ele em minhas atitudes, que de alguma forma as pessoas vissem Deus no meu sorriso, nas minhas palavras...
Deus existe, eu sei. Está dentro de mim e em todos os lugares. E você, o que acha?
*****************************************************************
Especialista
Eu já li um pouco de muita coisa, posso dizer que já ouvi falar um pouco de quase tudo. Prefiro, sinceramente, saber um pouco de tudo e tudo de nada. O diferente é mais interessante. Que graça teria se eu falasse apenas sobre mim, que é o que eu gosto mais?
O bom mesmo é tirar o foco do próprio umbigo. Falar de mim, dele, dela, de nós.
Gosto tanto de ser assim, ser muitas em uma só. Ser Helena, Carolina, Bianca, Cecília, Terezinha e tantas mais.
***********************************************************
Agora vou falar de amor.... Amor não, de sentimento, pois não tem nome, é sentimento e só.
Um amor platônico que não sabe que tinha este título. Talvez agora saiba, mas acho que ele não lê blogs... Enfim, eu achava que jamais nos encontraríamos e (quem diria?) conversaríamos. E uma amizade então? Incrível! Somos amigos... fomos algo a mais e agora amigos de novo...
E amor platônico materializado é misto de magia e desencanto, palavras ligadas e, neste momento, antagônicas. Um sonho que virou beijo e um beijo que não foi sonho.
Apesar dos pesares, ainda adoro seu sorriso, o mais charmoso, apesar dos dentes um tanto desalinhados. Ele não usa perfume, mas tem um cheiro tão bom, daqueles que dá vontade de abraçar... E para terminar:
Enterro
Acabo de descobrir que ele tem namorada.
Preparem os cartões, a missa e as lágrimas
Mandem-me condolências pelo romance mal acabado...
*************************************************************
Escrever, para mim, é aliviar a alma. Alguns fumam, outros gritam. Enquanto outros choram ou brigam... Às vezes eu penso e não escrevo, mas, na maioria das vezes, eu escrevo e não penso. Isso é uma verdade e serve como justificativa (e pedido de desculpas) para as linhas mal traçadas que acabaram de ler.
Até mais,
Helena
Dualista
Deus... Intrigante demais para mim! É uma questão que está sempre comigo e que me faz lembrar de uma frase do Padre Zezinho: “Deus só se torna uma grande resposta quando faz dele sua maior pergunta”. E este questionamento anda sempre comigo. Com quem eu falo? Para quem eu faço meus pedidos e abro o meu coração? Não sei, falo com algo que é maior que eu, mas que ao mesmo tempo cabe dentro de mim.
Deus tem sido um mistério cada vez maior na minha vida. Quanto mais eu tento entendê-lo, mais complexo ele parece. Contudo, sinto-o cada vez mais próximo de mim.
Quando vou à igreja, como manda a sociedade, ao contrário do que deveria ser, Deus parece se afastar na fala do padre, nas brincadeiras das crianças, nos ritos repetitivos.
Falar com Deus é mais que palavras. Queria conversar mais com Ele em minhas atitudes, que de alguma forma as pessoas vissem Deus no meu sorriso, nas minhas palavras...
Deus existe, eu sei. Está dentro de mim e em todos os lugares. E você, o que acha?
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Especialista
Eu já li um pouco de muita coisa, posso dizer que já ouvi falar um pouco de quase tudo. Prefiro, sinceramente, saber um pouco de tudo e tudo de nada. O diferente é mais interessante. Que graça teria se eu falasse apenas sobre mim, que é o que eu gosto mais?
O bom mesmo é tirar o foco do próprio umbigo. Falar de mim, dele, dela, de nós.
Gosto tanto de ser assim, ser muitas em uma só. Ser Helena, Carolina, Bianca, Cecília, Terezinha e tantas mais.
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Agora vou falar de amor.... Amor não, de sentimento, pois não tem nome, é sentimento e só.
Um amor platônico que não sabe que tinha este título. Talvez agora saiba, mas acho que ele não lê blogs... Enfim, eu achava que jamais nos encontraríamos e (quem diria?) conversaríamos. E uma amizade então? Incrível! Somos amigos... fomos algo a mais e agora amigos de novo...
E amor platônico materializado é misto de magia e desencanto, palavras ligadas e, neste momento, antagônicas. Um sonho que virou beijo e um beijo que não foi sonho.
Apesar dos pesares, ainda adoro seu sorriso, o mais charmoso, apesar dos dentes um tanto desalinhados. Ele não usa perfume, mas tem um cheiro tão bom, daqueles que dá vontade de abraçar... E para terminar:
Enterro
Acabo de descobrir que ele tem namorada.
Preparem os cartões, a missa e as lágrimas
Mandem-me condolências pelo romance mal acabado...
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Escrever, para mim, é aliviar a alma. Alguns fumam, outros gritam. Enquanto outros choram ou brigam... Às vezes eu penso e não escrevo, mas, na maioria das vezes, eu escrevo e não penso. Isso é uma verdade e serve como justificativa (e pedido de desculpas) para as linhas mal traçadas que acabaram de ler.
Até mais,
Helena
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