Que pena que a gente não tem tudo ao mesmo tempo. A eterna confusão entre idade e maturidade, entre saber conciliar essas coisas que geralmente não vão pelo mesmo caminho, embora devessem. Como o Ex-estrangeiro, também queria saber antes o que sei agora, e que eu soubesse hoje o que inevitavelmente saberei amanhã, assim, deixaria viver mais cada momento.
Mas esse deixar viver é antagônico ao processo de querer o que não é nosso, e em sendo nosso entender que o é por uma variável tão sensível quanto o tempo de agora e o de segundos depois de antes. A maturidade que eu assimilaria seria a de aprender que uma pessoa dificilmente será sua a vida inteira e perder o medo de perdê-la – mesmo não a tendo.
Me dói lembrar que relacionamentos acabam e que ninguém é insubstituível. Queria ser a pessoa de alguém pela vida inteira. Carrego comigo um bobo sentimento de melancolia sempre que penso em todas as mulheres que passaram pela vida do Poetinha, pelo casamento desfeito do Leminski e da Alice Ruiz, pela quase incompreensível vida da Simone de Bouvoir e do Sartre, pelas tantas mulheres que o Chico amou e retratatou em suas músicas.
Queria – hoje - saber compreender que existem amores e parar de viajar à toa - parecendo uma eterna iludida – e, sabendo disso, poder conviver melhor com o “estar” das coisas. Também queria poder me orgulhar de diversas cicatrizes. Que, pelo menos isso, a idade me traga de bom!
“Talvez a gente esteja no mundo para procurar o amor, encontrá-lo e perdê-lo, muitas e muitas vezes. Nascemos de novo a cada amor, e a cada amor que termina, abre-se uma ferida. Estou cheia de orgulhosas cicatrizes”.
Luiza.
segunda-feira, 23 de março de 2009
terça-feira, 10 de março de 2009
Mãe não deveria morrer nunca...
Sei que textos sobre mães geralmente acabam sendo meio clichês e você nunca dirá algo que alguém já não disse, mas certas vezes é preciso, e necessário, que algumas verdades, mesmo sabidas, sejam ditas, escritas, registradas, para que as pessoas possam assimilar, principalmente a quem o desabafo se direciona. Então, que se dane!
Minha mãe é antes de tudo uma lutadora (não disse que não diria nada de novo?)! Não sei se no seu lugar, depois de ter passado por todas e tantas, eu estaria inteira. Guardo não só, mas principalmente, as melhores lembranças. Lembro que quando a caçula da casa chegou eu me deleitei. Sim, apesar de ter perdido o colo desfrutei de muitas noites dormindo ao som de sua voz que cantava pra minha nova irmã dormir no embalo de melodias de ninar.
Eu adormecia tão feliz quanto a que repousava sobre seus braços, embora o sono algumas vezes fosse interrompido pelos berros do bebê eu o desculpava, pois por sua causa eu ouvia novamente a voz doce das canções daquela alma tão serena a cantarolar.
Hoje vejo que o melhor de tudo quando se amadurece é ver a mãe tornando-se a melhor amiga. Foi assim comigo e lamento pelos anos que passei confabulando deixar a casa por motivos que só uma criança pode se chatear.
Aquela mulher que me escovava os pés até ficarem vermelhos depois de ter passado a tarde correndo no barro, aquela que tirava do meu ouvido, com grampos de cabelo, grãos de milho, trigo e qualquer outro objeto não identificado após passar tardes brincando na casa da avó, aquela que arrancava varinhas de pêssego e ameaçava curar a teimosia com umas boas varadas, aquela que passou por uma série de cicatrizações dolorosas, aquela que antes de tudo é uma mulher que também sofre, chora e sente saudade, é quem eu mais admiro, considero, me preocupo, e por quem derramo as minhas mais profundas lágrimas de saudade.
Descobri que minha mãe é muito mais corajosa do que parece, é muito mais forte do que se imagina, mesmo tendo uma flor no seu nome. Porém, ela também não é de ferro e mesmo sendo minha SUPER MÃE, passa por muitas e ruins nessa vida. Tudo que eu queria hoje é que ela, apesar de tudo, não desanimasse e soubesse que, mesmo não tendo feito tudo o que queria ou mesmo que não tenha escolhido outros caminhos que a tivessem levado para lugares melhores e mais felizes, o mais importante de uma mãe ela fez: ter conquistado o amor incondicional de não apenas uma, mas três filhas que a querem tão, mas tão bem que só de pensar me arde o peito.
“Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.”
ps. retroativo ao dia da Mulher, à minha mãe, pra mim, a melhor mulher!
Luiza.
Minha mãe é antes de tudo uma lutadora (não disse que não diria nada de novo?)! Não sei se no seu lugar, depois de ter passado por todas e tantas, eu estaria inteira. Guardo não só, mas principalmente, as melhores lembranças. Lembro que quando a caçula da casa chegou eu me deleitei. Sim, apesar de ter perdido o colo desfrutei de muitas noites dormindo ao som de sua voz que cantava pra minha nova irmã dormir no embalo de melodias de ninar.
Eu adormecia tão feliz quanto a que repousava sobre seus braços, embora o sono algumas vezes fosse interrompido pelos berros do bebê eu o desculpava, pois por sua causa eu ouvia novamente a voz doce das canções daquela alma tão serena a cantarolar.
Hoje vejo que o melhor de tudo quando se amadurece é ver a mãe tornando-se a melhor amiga. Foi assim comigo e lamento pelos anos que passei confabulando deixar a casa por motivos que só uma criança pode se chatear.
Aquela mulher que me escovava os pés até ficarem vermelhos depois de ter passado a tarde correndo no barro, aquela que tirava do meu ouvido, com grampos de cabelo, grãos de milho, trigo e qualquer outro objeto não identificado após passar tardes brincando na casa da avó, aquela que arrancava varinhas de pêssego e ameaçava curar a teimosia com umas boas varadas, aquela que passou por uma série de cicatrizações dolorosas, aquela que antes de tudo é uma mulher que também sofre, chora e sente saudade, é quem eu mais admiro, considero, me preocupo, e por quem derramo as minhas mais profundas lágrimas de saudade.
Descobri que minha mãe é muito mais corajosa do que parece, é muito mais forte do que se imagina, mesmo tendo uma flor no seu nome. Porém, ela também não é de ferro e mesmo sendo minha SUPER MÃE, passa por muitas e ruins nessa vida. Tudo que eu queria hoje é que ela, apesar de tudo, não desanimasse e soubesse que, mesmo não tendo feito tudo o que queria ou mesmo que não tenha escolhido outros caminhos que a tivessem levado para lugares melhores e mais felizes, o mais importante de uma mãe ela fez: ter conquistado o amor incondicional de não apenas uma, mas três filhas que a querem tão, mas tão bem que só de pensar me arde o peito.
“Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.”
ps. retroativo ao dia da Mulher, à minha mãe, pra mim, a melhor mulher!
Luiza.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Instinto Maternal
Começou com uma conversa informal na hora do almoço. E aí surgiu a enquete. Você quer ter filhos? Sim, pensei, abruptamente. Quero. Não agora, mas quero, sempre quis. Sempre brinquei de boneca, planejei nomes, imaginei o futuro de cada bonequinho quando crescesse. Já pensei em ter seis, quatro e dois filhos. O número foi diminuindo inversamente proporcional à consciência de quanto se gasta com um bacuri. As únicas certezas que mantive foram as de que quero ter filhos em números pares e que não terei um só.
Nunca pensei em quando teria início a encomenda da minha prole. Na verdade, como toda menina parece ser o reflexo de sua mãe, imaginava que minha sina seria a mesma. Com 23 já teria o primeiro nos braços. Mas a idade chegou e essa ideia passou longe das minhas metas. Depois que eu entrei na idade reprodutiva (e sexualmente ativa), ter um filho ficou adiado para um tempo do não sei quando, um dia quem sabe, quando a estabilidade chegar (e chega?). Porque a espera de um marido transformou-se na escolha, simplesmente, por um pai. Uma produção independente não está descartada dentro dos meus planos de carregar meus lindos bebês nos braços.
Lembrei de um livro, em que a protagonista (mais ou menos da minha idade) busca desesperadamente ter um filho. Sem namorado (que não quis levar o sonho da moça adiante) ela vai até para outro país para tornar o sonho (considerado desejo bizarro de criança mimada pelas amigas) realidade. Recordei algumas passagens de quando ela se depara com crianças e grávidas. A reação era idêntica a que eu ando tendo ultimamente:
- Meu Deus, esse bebê é a coisa mais linda desse mundo!
Tá, não é para tanto. Ele pode ser bonitinho, ter cheiro bom de talco, mas tenho certeza que aquela risadinha sem motivo aparente pode ser só para te conquistar. Para despertar em você aquele instinto maternal que dormia no fundo da sua alma.
Não sei se foi a enquete, que me fez parar para pensar nisso, ou se foi a proximidade recente com grávidas, ou ainda o amadurecimento chegando, mas a vontade absurda de ser mãe voltou. E anda latente. Uma vontade tremendamente irracional, diga-se de passagem. Para ajudar, fui a um chá de bebê de uma amiga. A cada presente aberto, os "ahhhhh" "que linduuuuu", "oinnnnn" mais altos eram meus. A futura mãe, esplêndida no seu barrigão de oito meses, também ajudou para que minha vontade de ser genitora se tornasse ainda mais forte. Descobri, sorriso nos lábios, que seu filho terá o mesmo nome que eu quero que meu filho homem tenha. (Sim, eu tenho o nome certo para o menino e para a menina que um dia eu terei.)
A vontade continuava lá, linda e pujante, até que alguém no chá teve a ideia de passar uma sacola cheia com os papéis vazios dos presentes entregues. Cada convidada deveria tirar um pacote e a última seria a felizarda futura mamãe. Tive uns três tipos de calafrios. Não, não, não vem com esse pacote perto de mim.
- Vai ter que pegar sim. Só não pega quem não pode ter filhos - disse uma mulher ao meu lado.
- Mas eu não posso!
- Não, eu digo quem já tem idade, ou fez laqueadura.
- Não posso ter um filho.
- Por quê?
- Minha mãe me mata.
Eu hein!
Filhos? AGORA, melhor não tê-los!
Nunca pensei em quando teria início a encomenda da minha prole. Na verdade, como toda menina parece ser o reflexo de sua mãe, imaginava que minha sina seria a mesma. Com 23 já teria o primeiro nos braços. Mas a idade chegou e essa ideia passou longe das minhas metas. Depois que eu entrei na idade reprodutiva (e sexualmente ativa), ter um filho ficou adiado para um tempo do não sei quando, um dia quem sabe, quando a estabilidade chegar (e chega?). Porque a espera de um marido transformou-se na escolha, simplesmente, por um pai. Uma produção independente não está descartada dentro dos meus planos de carregar meus lindos bebês nos braços.
Lembrei de um livro, em que a protagonista (mais ou menos da minha idade) busca desesperadamente ter um filho. Sem namorado (que não quis levar o sonho da moça adiante) ela vai até para outro país para tornar o sonho (considerado desejo bizarro de criança mimada pelas amigas) realidade. Recordei algumas passagens de quando ela se depara com crianças e grávidas. A reação era idêntica a que eu ando tendo ultimamente:
- Meu Deus, esse bebê é a coisa mais linda desse mundo!
Tá, não é para tanto. Ele pode ser bonitinho, ter cheiro bom de talco, mas tenho certeza que aquela risadinha sem motivo aparente pode ser só para te conquistar. Para despertar em você aquele instinto maternal que dormia no fundo da sua alma.
Não sei se foi a enquete, que me fez parar para pensar nisso, ou se foi a proximidade recente com grávidas, ou ainda o amadurecimento chegando, mas a vontade absurda de ser mãe voltou. E anda latente. Uma vontade tremendamente irracional, diga-se de passagem. Para ajudar, fui a um chá de bebê de uma amiga. A cada presente aberto, os "ahhhhh" "que linduuuuu", "oinnnnn" mais altos eram meus. A futura mãe, esplêndida no seu barrigão de oito meses, também ajudou para que minha vontade de ser genitora se tornasse ainda mais forte. Descobri, sorriso nos lábios, que seu filho terá o mesmo nome que eu quero que meu filho homem tenha. (Sim, eu tenho o nome certo para o menino e para a menina que um dia eu terei.)
A vontade continuava lá, linda e pujante, até que alguém no chá teve a ideia de passar uma sacola cheia com os papéis vazios dos presentes entregues. Cada convidada deveria tirar um pacote e a última seria a felizarda futura mamãe. Tive uns três tipos de calafrios. Não, não, não vem com esse pacote perto de mim.
- Vai ter que pegar sim. Só não pega quem não pode ter filhos - disse uma mulher ao meu lado.
- Mas eu não posso!
- Não, eu digo quem já tem idade, ou fez laqueadura.
- Não posso ter um filho.
- Por quê?
- Minha mãe me mata.
Eu hein!
Filhos? AGORA, melhor não tê-los!
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
O verão terminara
(Este texto fala sobre dias que poderiam ser doces dias, mas devido a inúmeros desencontros se tornam amargos dias.)
Hoje escolhi que iria te encontrar. Planejei estar ao seu lado, hoje, o dia mais longo, o dia em que termina o horário de verão.
Li no jornal. Os relógios devem ser atrasados uma hora à meia-noite. A hora acrescida no dia vai repor a que foi subtraída quando o horário de verão começou. Lembro que fiquei pensando... Como eles têm o direito de roubar uma hora de nossas vidas? Vá lá que vão repor depois, mas há dias mais especiais que outros.
Fiquei a imaginar quem aniversariava naquele dia, quem tinha uma grande festa para ir, quem aguardava ansioso no aeroporto o horário do voo para rever os seus. Uma hora lhes foi roubada. E devolvida somente quatro meses depois. Em quatro meses pode acontecer tanta coisa...
Mas isso não tem nada a ver com a gente. A não ser pelo fato de que o dia da devolução da hora roubada foi o dia que eu escolhi para passar ao seu lado. Imaginei o tanto que teríamos a nos falar e achei a ocasião bem propícia.
Aguardei o horário do nosso encontro com ansiedade. Esperei insistentemente o telefone tocar, para confirmar o encontro, sutilmente anunciado minutos antes. Em vão.
Planejei passar este dia ao seu lado. Você escolheu outra coisa. Outra pessoa, enfim. E talvez, vai saber, você nem soubesse que o dia seria mais longo, muito menos o quanto estar ao seu lado seria especial para mim.
Ironicamente, o dia acabou com a certeza de que ele foi, sim, mais longo. Mais longo de dúvidas, mais cheio de incertezas, mais repleto de ausência. Da sua ausência.
Rosa (ainda) despedaçada.
* Texto escrito dia 14 de fevereiro. Postado hoje, somente, devido às incongruências da vida.
Hoje escolhi que iria te encontrar. Planejei estar ao seu lado, hoje, o dia mais longo, o dia em que termina o horário de verão.
Li no jornal. Os relógios devem ser atrasados uma hora à meia-noite. A hora acrescida no dia vai repor a que foi subtraída quando o horário de verão começou. Lembro que fiquei pensando... Como eles têm o direito de roubar uma hora de nossas vidas? Vá lá que vão repor depois, mas há dias mais especiais que outros.
Fiquei a imaginar quem aniversariava naquele dia, quem tinha uma grande festa para ir, quem aguardava ansioso no aeroporto o horário do voo para rever os seus. Uma hora lhes foi roubada. E devolvida somente quatro meses depois. Em quatro meses pode acontecer tanta coisa...
Mas isso não tem nada a ver com a gente. A não ser pelo fato de que o dia da devolução da hora roubada foi o dia que eu escolhi para passar ao seu lado. Imaginei o tanto que teríamos a nos falar e achei a ocasião bem propícia.
Aguardei o horário do nosso encontro com ansiedade. Esperei insistentemente o telefone tocar, para confirmar o encontro, sutilmente anunciado minutos antes. Em vão.
Planejei passar este dia ao seu lado. Você escolheu outra coisa. Outra pessoa, enfim. E talvez, vai saber, você nem soubesse que o dia seria mais longo, muito menos o quanto estar ao seu lado seria especial para mim.
Ironicamente, o dia acabou com a certeza de que ele foi, sim, mais longo. Mais longo de dúvidas, mais cheio de incertezas, mais repleto de ausência. Da sua ausência.
Rosa (ainda) despedaçada.
* Texto escrito dia 14 de fevereiro. Postado hoje, somente, devido às incongruências da vida.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Coisas de partir e voltar...
Sempre brinquei com minha mãe que nunca sairia de casa. Ficava rindo à toa com ela e imaginando como seria bom ter o aconchego do seu abraço e o despertar matinal do seu chamado, tirando de ouvido o timbre de sua voz. O grito era sinal de desespero e pulo da cama, ou o contrário, a voz mansa deixava-me adormecer mais um pouco.Agora sei o quanto isso me faz falta.
No fundo eu sabia que o ficar para sempre não aconteceria. Afinal, uma hora ou outra todos vão e a mim a saída não tardaria a chegar, porque minha vontade também era deixar e partir.
Ontem, depois de pouco mais de dois meses fora de casa, retornei àquele abraço carinhoso e o sorriso no rosto de quem espera. Nunca parei pra pensar na sensação que as pessoas tinham em voltar para casa, contudo o gosto foi muito melhor do que eu teria imaginado. A mim ele chegou repleto de êxtase e prazer. Nas duas noites que estive em casa, dormi na minha antiga cama com um sorriso no rosto, daqueles que deixam o sono macio. “O melhor de ir embora é voltar”, pensava comigo.
Nessa volta também veio uma certeza: aquele já não era mais o meu lugar. Aquela ciadade já não era mais minha. Eu não caberia mais lá, igual um calçado que você abandona e não consegue mais colocar no pé, porque simplesmente não entra mais dentro dele.
Depois disso, lembrei de uma amiga e dos textos que ela já tinha escrito sobre o partir, o voltar e o não permanecer. Agora entendo melhor o que ela dizia. E, embora seja triste o fato de que dificilmente você voltará para casa, é bom saber que podemos revisitá-la sem o compromisso de ficar e conquistar, mesmo ilusória, a sensação do mundo pela frente. E, em tendo o mundo pela frente, haver sempre um lugar para voltar...
Luiza.
No fundo eu sabia que o ficar para sempre não aconteceria. Afinal, uma hora ou outra todos vão e a mim a saída não tardaria a chegar, porque minha vontade também era deixar e partir.
Ontem, depois de pouco mais de dois meses fora de casa, retornei àquele abraço carinhoso e o sorriso no rosto de quem espera. Nunca parei pra pensar na sensação que as pessoas tinham em voltar para casa, contudo o gosto foi muito melhor do que eu teria imaginado. A mim ele chegou repleto de êxtase e prazer. Nas duas noites que estive em casa, dormi na minha antiga cama com um sorriso no rosto, daqueles que deixam o sono macio. “O melhor de ir embora é voltar”, pensava comigo.
Nessa volta também veio uma certeza: aquele já não era mais o meu lugar. Aquela ciadade já não era mais minha. Eu não caberia mais lá, igual um calçado que você abandona e não consegue mais colocar no pé, porque simplesmente não entra mais dentro dele.
Depois disso, lembrei de uma amiga e dos textos que ela já tinha escrito sobre o partir, o voltar e o não permanecer. Agora entendo melhor o que ela dizia. E, embora seja triste o fato de que dificilmente você voltará para casa, é bom saber que podemos revisitá-la sem o compromisso de ficar e conquistar, mesmo ilusória, a sensação do mundo pela frente. E, em tendo o mundo pela frente, haver sempre um lugar para voltar...
Luiza.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
À toa
À toa, pensamentos invadem minha cabeça.
À toa, me perco num mar de sonhos que só lembrados
são quando, à toa, me percebo toda nua, toda crua...
Cheia de coisas que eu queria fazer e não fiz,
que eu queria dizer e não disse.
À toa que eu te perdi, mas não é
À toa, que eu me lembro de ti.
Bjs,
Luiza*
* Preguiçosa e sem vergonha, pq descobriu que é fácil escrever poemas toscos.
À toa, me perco num mar de sonhos que só lembrados
são quando, à toa, me percebo toda nua, toda crua...
Cheia de coisas que eu queria fazer e não fiz,
que eu queria dizer e não disse.
À toa que eu te perdi, mas não é
À toa, que eu me lembro de ti.
Bjs,
Luiza*
* Preguiçosa e sem vergonha, pq descobriu que é fácil escrever poemas toscos.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Síndrome de Armstrong
Foi esses dias. Aconteceu de repente. Fui atacada pela Síndrome do "What a wonderful World", do Louis Armstrong. Tudo passou a fazer sentido. E um sentido absurdamente positivo. Não era nada tããão sobrenatural, nada de "que as luzes violetas estejam com você", nada de "minha força interior", nada de "a energia dos cristais...". Essa seria a Síndrome de Osho. O que me atacou mesmo foi a outra.
Já ouviu?
Impressionante. É claro que eu não cantava com a avidez do Louis, mas essa música pareceu orquestrar a minha vida. Eu parecia enxergar apenas as cores vibrantes das coisas, como se todo o cinza em volta não importasse. Parecia ouvir apenas a cantoria dos passarinhos e não queria saber se eles estavam prestes a cagar na minha cabeça. Acordava cedo, andava muito, comia rápido, mas qual o quê? O mundo é maravilhoso! Olha, ele é maravilhoso!
Dei esporro numa amiga, acostumada a enfeiar a vida, como eu mesma fazia, há (veja!)poucos dias antes. Tentava mostrar a ela o que eu enxergava do meu caleidoscópio multicolorido.
A síndrome me atingiu em cheio e durou uma semana. Esfacelou-se, virou pó.
A amiga me encontrou, praticamente estirada no chão, sem forças. E me cobrou o olelê anterior.
- Ué, cadê o otimismo?
- Morreu.
- E desabou por quê?
- Homens.
Sempre eles. Malditos.
Rosa (despedaçada).
Já ouviu?
Impressionante. É claro que eu não cantava com a avidez do Louis, mas essa música pareceu orquestrar a minha vida. Eu parecia enxergar apenas as cores vibrantes das coisas, como se todo o cinza em volta não importasse. Parecia ouvir apenas a cantoria dos passarinhos e não queria saber se eles estavam prestes a cagar na minha cabeça. Acordava cedo, andava muito, comia rápido, mas qual o quê? O mundo é maravilhoso! Olha, ele é maravilhoso!
Dei esporro numa amiga, acostumada a enfeiar a vida, como eu mesma fazia, há (veja!)poucos dias antes. Tentava mostrar a ela o que eu enxergava do meu caleidoscópio multicolorido.
A síndrome me atingiu em cheio e durou uma semana. Esfacelou-se, virou pó.
A amiga me encontrou, praticamente estirada no chão, sem forças. E me cobrou o olelê anterior.
- Ué, cadê o otimismo?
- Morreu.
- E desabou por quê?
- Homens.
Sempre eles. Malditos.
Rosa (despedaçada).
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