domingo, 8 de fevereiro de 2009

Síndrome de Armstrong

Foi esses dias. Aconteceu de repente. Fui atacada pela Síndrome do "What a wonderful World", do Louis Armstrong. Tudo passou a fazer sentido. E um sentido absurdamente positivo. Não era nada tããão sobrenatural, nada de "que as luzes violetas estejam com você", nada de "minha força interior", nada de "a energia dos cristais...". Essa seria a Síndrome de Osho. O que me atacou mesmo foi a outra.

Já ouviu?


Impressionante. É claro que eu não cantava com a avidez do Louis, mas essa música pareceu orquestrar a minha vida. Eu parecia enxergar apenas as cores vibrantes das coisas, como se todo o cinza em volta não importasse. Parecia ouvir apenas a cantoria dos passarinhos e não queria saber se eles estavam prestes a cagar na minha cabeça. Acordava cedo, andava muito, comia rápido, mas qual o quê? O mundo é maravilhoso! Olha, ele é maravilhoso!
Dei esporro numa amiga, acostumada a enfeiar a vida, como eu mesma fazia, há (veja!)poucos dias antes. Tentava mostrar a ela o que eu enxergava do meu caleidoscópio multicolorido.

A síndrome me atingiu em cheio e durou uma semana. Esfacelou-se, virou pó.
A amiga me encontrou, praticamente estirada no chão, sem forças. E me cobrou o olelê anterior.
- Ué, cadê o otimismo?
- Morreu.
- E desabou por quê?
- Homens.

Sempre eles. Malditos.

Rosa (despedaçada).

3 comentários:

Rita disse...

Sempre eles ou sempre nós?
Semana passada tava tão bem... Tb!

Mulheres de Atenas disse...

Me fez lembrar isso:

"Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita"

Sempre ele!

bj

Luiza

Rita disse...

Já que foi de Drummond, vou de Pessoa...

“Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia”.