terça-feira, 12 de maio de 2009

Acordou meio “em crise”

Ela acordou meio em crise. Na noite anterior nerdeando pelos chats desse mundo virtual, deparou-se com fatos que a levaram acreditar que cada número à esquerda alterado na somatória da idade de uma pessoa, surgia uma nova crise.

Ouviu e enxugou lágrimas de amigos e conhecidos dos vinte e poucos, dos trinta e poucos, dos quarenta e poucos, dos cinqüenta e poucos... ok, já era o suficiente. Depois disso, não com muito custo, iniciou um curto processo de sistematização:

- Os jovenzinhos, dos vinte e poucos reclamavam da crise (existencial, que fique claro!): era a dúvida pela escolha do curso superior certo, seguida pela procura de emprego, vontade de sair de casa e achar um cantinho longe da asa da pobre mãezinha protetora, sede e pressa de ver as coisas todas ajeitadas, e tantas outras inquietações.

- Depois... Ahhhh! Os trinta e poucos. Empreguinho conquistado – tá, não é lá essas coisas, mas enquanto não surgir outro, tudo bem! Correr atrás de aperfeiçoamento, com muito custo tentar a conquista da promoção no empreguinho e, “por favor, tenho que arrumar um companheiro (a), afinal quero ter filhos!” “Cadê esses homens??? Cadê essas mulheres, só querem usar e jogar fora???” “Bá, o tempo está passando rápido demais...”

- “Já é hora de fazer plástica? Tirar as gordurinhas? Começar a academia? Comprar a última versão do creme antirrugas??” Põats!! Chegou os quarenta e poucos. “O emprego não foi o que eu desejei quando entrei na faculdade. Acho que poderia ter feito outro curso”. “Amanhã começo a pensar no meu plano de aposentadoria, afinal, corre o tempo...” “Ahhh, e esse companheiro (a)? Bem que minha mãe avisou...”

- Nos cinquenta e poucos? “Eu poderia ter feito tantas coisas, porque não fiz tudo diferente”. “Ahh, se eu tivesse convidado aquele menino pra tomar um sorvete na lanchonete, andar com a gente, me ver de perto, ouvir aquela canção do Roberto”. “Ahh, se soubesse antes o que sei agora”.

Exausta voltou do exercício mental, fez uma xícara de café e foi sentar-se ao sofá. Não era possível reduzir TUDO a isso de agora pouco. Puxou um livro de poesias que estava sobre a mesa de centro e abriu uma página aleatoriamente. Suspirou. Estava lá, uma boa resposta. Nem sempre é preciso pensar em tudo sozinha:

“e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás

um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e olhando nos meus olhos

acho que ganhei o tempo
de lá para cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando”
[V. Mosé]

Luiza.

2 comentários:

Rita disse...

Conheço esse "põats"!!!
Ficou ótimo e o pior, lembrei de tantas conversas - hahahah. Era pra rir ou chorar?

Solange Maia disse...

Sensacional !!!
Adorei !!! É assim mesmo.... risos....
Gostei de ter vindo aqui e conhecido o blog de vocês.
Muito bom.
Parabéns !

Beijo,

Solange Maia

Quando puder visite meu “Eucaliptos” :

http://eucaliptosnajanela.blogspot.com