Poderia dizer que estava viajando para a Patagônia nesses últimos dias. Poderia inventar ainda que estava com dengue, ou febre amarela (agora é tão comum que alguém podia até acreditar). O fato é que estive aqui, como sempre. Sã e salva, como há tempos não estive. Mas a diferença é que tenho sentido muita, muita , muita saudade nos últimos tempos. E foi ela que me fez divagar.
***
A amiga que tive (texto escrito para mulheres)
Sabe né. A gente tem amiga para tudo. Amiga para dar risada da sua bola-fora, amiga para comprar roupa junto, amiga para revisar o trabalho que você fez de madrugada, atropelando toda e qualquer regra de concordância. Amiga pra dizer que você é burra e tapada por correr atrás dele ainda. Amiga para beber junto, porque tem a mesma resistência ao álcool, a mesma grana pra torrar com cerveja e o mesmo saco para freqüentar bar em segunda-feira chuvosa que você. Amiga que tem um gosto tão diferente do seu que você até pensa, de uma forma meio egoísta, que ela nunca vai te roubar um pretendente, mas mesmo assim você se questiona como sendo tão diferentes, conseguem ser tão amigas.
Já falei da incrível cumplicidade que une duas mulheres. Você pode adorar aquele seu amigo, ser fã dele e tudo mais. Você pode até trocar de roupa na frente dele. Ele pode até ser gay, não importa. É diferente a amizade que você sente por ele e a que você sente por outra mulher.
Você tem um irmão que é a sua cara, que dá risada contigo e detesta ir à casa de parentes tanto quanto você. Mas é diferente o que você sente por ele e o que você sente por sua irmã. Querer ser igual a mais velha, ser o modelo da mais nova, ou achar que se o mundo inteiro se virar contra você, ainda assim você terá uma pessoa com quem vai contar, são coisas que só quem tem uma irmã sabe. A mesma coisa com pai e mãe. Você os ama da mesma forma e repete isso aos quatro ventos e com toda a força do seu coração. Mas você sabe, no fundo sabe, que são amores diferentes. O que liga duas mulheres é mais carnal, é de sangue, o mesmo que vocês vêem descer quase ao mesmo momento quando convivem muito tempo lado a lado. É o sentimento forte, sólido e consistente, mesmo quando se maltratam.
Duas amigas, duas irmãs, mãe e filha. Isso é tão forte, que não sei explicar. Uma das histórias que mais me lembro da infância era o relato em uma revista (Abre parênteses: cresci lendo Claudia e isso me fez querer ser jornalista desde muito cedo. A herança dessa leitura não foi apenas de saber o que era orgasmo e clitóris muito antes das minhas colegas de classe, mas também de ter vontade irrepreensível de querer contar histórias alheias. Fecha parênteses) A história em si era contada por uma leitora, em um espaço aberto para quem quisesse contar suas experiências de vida. A dela era singular. O ódio que existia entre ela e sua mãe as moviam e resultava sempre em farpas trocadas. As linhas me chegavam como um soco no estômago. “Saímos de casa eu e meu pai e ela tinha ficado em casa. Não sabia que eles tinham brigado. Quando eu e papai chegamos felizes e alegres, ela me pegou pelo braço, me empurrou para dentro do quarto e esbravejou: -Vai, você quer o que agora? Dormir com ele? Sei que você quer!” Para mim, ler que uma mãe dizia tal disparidade para a filha era inconcebível. Recatada, não havia entendido que aquela era uma revelação. Toda mulher será rival de outras mulheres durante toda sua vida e a primeira delas será sempre sua mãe, pela atenção que o pai dispensa à nova criaturinha de rosa. “Quero mesmo é ter um filho homem, para ele me amar por toda a vida”, diz uma amiga minha.
A lei diz que as meninas são dos seus pais e os meninos são das suas mães e ninguém mudará isso. Assim como nada muda que uma menina que é amiga de um menino no jardim de infância vai ouvir: “tá namorando”. Assim como o menino que só freqüenta a roda das meninas vai ouvir que é gay. Assim como você pode falar de tudo para uma pessoa, mas você sabe, no fundo sabe, que ela só vai entender de uma forma plena, total, transparente tudo o que você passou realmente, se ela for mulher. Da mesma forma que você lê uma cena escrita por um homem e se emociona, mas lê a cena descria por uma mulher e toda emoção transpassa o tempo e o espaço que te separam da autora e te faz reviver e sentir junto tudo o que foi por ela descrito. Da mesma forma que você briga com um homem, mas com uma mulher rompe laços. Da mesma forma que você se pergunta como pode inveja, cumplicidade, carinho, ciúmes e raiva existirem simultaneamente em uma mesma amizade, você sabe que isso é perfeitamente possível entre duas mulheres. E você sabe, no fundo sabe, que só ela te completará, como um espelho inverso. E a falta dela será como o espaço vazio e renitente ante a sua presença.
Bom, é isso que tenho a dizer das amigas que tive.
Beijos e desculpas.
Da ausente,
Beatriz
sábado, 12 de abril de 2008
sábado, 5 de abril de 2008
Pausa para balanço (e espera do texto da Bia)
Há um ano essas mulheres se encontravam, horizontes, idéias, sonhos, expectativas, cada uma com uma bagagem, e a mala pronta pra viagem...
Sopros ao vento foram dados, e as amigas da mídia à vida continuaram.
VELHA AMIGA
VOCÊ TEM QUE OLHAR A ESTRADA
COM UMA CARA CANSADA
COMO UMA VELHA AMIGA
QUE VOCÊ JÁ NÃO AGÜENTA MAIS
ESTOU AQUI DE PASSAGEM
A VIDA É UMA MALA PRONTA PRA VIAGEM
MINHA CABEÇA É MINHA BAGAGEM
E A ESTRADA É UMA VELHA AMIGA
COM QUEM VOCÊ PODE CONTAR VELHA AMIGA?
ps. Gente!!!
Pra ninguém pensar que o blog vai sumir, desaparecer, escafeder-se por falta de postagem, estou aqui pra esclarecer: quem seria a responsável pelo post que ainda estamos esperando infelizmente não está aqui pra contar a história (obvia e literalmente). Mas é que as mulheres andam a beira de um ataque de nervos por causa de trabalhos curriculares não feitos, ou melhor, por fazer... vida marginal, mesmo!! Okay, mas o aviso é que nessa semana o texto sai.
Até,
Carolina.
Há um ano essas mulheres se encontravam, horizontes, idéias, sonhos, expectativas, cada uma com uma bagagem, e a mala pronta pra viagem...
Sopros ao vento foram dados, e as amigas da mídia à vida continuaram.
VELHA AMIGA
VOCÊ TEM QUE OLHAR A ESTRADA
COM UMA CARA CANSADA
COMO UMA VELHA AMIGA
QUE VOCÊ JÁ NÃO AGÜENTA MAIS
ESTOU AQUI DE PASSAGEM
A VIDA É UMA MALA PRONTA PRA VIAGEM
MINHA CABEÇA É MINHA BAGAGEM
E A ESTRADA É UMA VELHA AMIGA
COM QUEM VOCÊ PODE CONTAR VELHA AMIGA?
ps. Gente!!!
Pra ninguém pensar que o blog vai sumir, desaparecer, escafeder-se por falta de postagem, estou aqui pra esclarecer: quem seria a responsável pelo post que ainda estamos esperando infelizmente não está aqui pra contar a história (obvia e literalmente). Mas é que as mulheres andam a beira de um ataque de nervos por causa de trabalhos curriculares não feitos, ou melhor, por fazer... vida marginal, mesmo!! Okay, mas o aviso é que nessa semana o texto sai.
Até,
Carolina.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Seu nome é Maria
Eu não sei exatamente quando ela deixou de sorrir. Mas sempre soube que ela não era o tipo de mulher que fazia os outros rirem. Uma avó doce a sua maneira. Seus carinhos não eram em gestos, afagos, como a maioria das avós faz. Seu afeto era mostrado através de muita comida na mesa, das flores do quintal, que quando entrássemos no carro se transformariam num buquê que durante a semana que estava por vir enfeitaria a nossa mesa da sala. Sua dedicação se materializava nas lágrimas cada vez que saíamos para a viagem.
Talvez ela tenha desaprendido a sorrir quando enterrou o primeiro filho, ainda jovem, quando ela deveria ter mais ou menos a minha idade hoje. Ou, pode ser que seus sorrisos se foram junto com o jovem namorado que foi para a guerra e quando voltou, não se sabe se por força ou vontade, a encontrou casada e com um filho nos braços.
Ela já estava aqui quando muita coisa no mundo aconteceu. Das duas guerras, ela carrega consigo o hábito de guardar todas as sobras de comida porque nunca se sabe o que faltará amanhã. Mantém também todas as latas, potinhos e pacotes de todos os tamanhos guardados, afinal, em tempos de guerra as fábricas não funcionam, as embalagens são mais caras e tudo o que puder ser reaproveitado é bem vindo.
Ela também viveu durante a ditadura, mas isso pouco lhe afetou, afinal, para ela a vida era uma eterna espera pelo marido caminhoneiro, cuidar dos filhos, colher legumes do quintal, armazenar o cereal produzido nas chácaras, matar galinhas para a canja, tirar o leite da vaca. Pouco, ou talvez nada, vinha do mercado. Políticas públicas pouco lhe interessavam, seus filhos tinham escola e hospital, isso bastava. Jamais desperdiçaria com um jornal ou uma revista as valiosas moedas que poderiam render um picolé aos filhos. Se escutasse Caetano falando dos caracóis ou Chico aos seus caros amigos, talvez até as achasse as palavras bonitas, mas não as compreenderia, afinal, música para ela eram as polonesas, tocadas ao vivo na rádio aos domingos.
Ela fala polonês, mas nunca nos ensinou. Entendemos apenas umas expressões que resmunga quando fica brava. Sempre achamos que fossem palavrões, até descobrirmos que ela jamais falaria algo proibido, apenas pedia a benção divina para os desobedientes.
Ela não é um exemplo de candura e muitas vezes acho que é um exemplo de como não se deve ser. É extremista, pudica, preconceituosa, rude e teimosa. E o maior dos seus defeitos e o que mais me maltrata é que ela é meu espelho. A imagem é distorcida, é claro, afinal, entre o meu nascimento e o dela se passaram 60 anos. Este reflexo é pior em muitos aspectos e melhor noutros poucos.
Seu nome é Maria e ela é Marias. É a Maria de Elis Regina, “é o som, é a dor, é o suor, é dose mais forte, lenta, de uma gente que ri quando deve chorar e não vive, apenas agüenta”. De vez quando parece Maria Bonita de Lampião, com garra e coragem para enfrentar qualquer desafio, qualquer sertão. É também a Maria Mãe de Jesus, que sofre pelos seus filhos e para cada cruz que cada um deles carrega, ela leva outras três, rezando terços e assistindo a missas ao longo do seu calvário.
E dentre tantas outras Marias que ainda não foram citadas e que estão dentro dela, tem a Maria de Chico Buarque, aquela Maria sobre a qual não queremos falar, mas às vezes é inevitável. Aquela Maria que lembra mar, que lembra um assobio, que lembra um sofrimento, que ela não merecia.
Tenho medo de ficar com ela e tenho medo de não ser como ela. Dona de uma força que é só sua, mas ao mesmo tempo dona de uma resignação que não lhe permite sonhar.
Talvez eu também, depois de toda uma vida, desaprenda a sorrir. Se aos 23 anos acho que se parar para pensar sobre tudo o que há de errado eu deixarei de sonhar, quem dirá quando eu tiver a idade dela e tenha tempo apenas para pensar, já que o corpo não obedece mais e nem mesmo a mais simples atividade pode ser feita sem o auxílio de alguém.
Hoje ela voltou a sorrir, ou talvez esteja sorrindo pela primeira vez. Não há ninguém que tenha estado ao lado dela sua vida toda para contar com certeza. Uma pena que tenha aprendido a gargalhar quando deixou de ser velha e voltou a ser criança. Tudo isso aos 82 anos, no enterro da filha 30 anos mais nova que ela, quando a tristeza foi tanta que a razão não resistiu.
Saudades,
Helena, um tanto melancólica, um tanto Carolina...
Talvez ela tenha desaprendido a sorrir quando enterrou o primeiro filho, ainda jovem, quando ela deveria ter mais ou menos a minha idade hoje. Ou, pode ser que seus sorrisos se foram junto com o jovem namorado que foi para a guerra e quando voltou, não se sabe se por força ou vontade, a encontrou casada e com um filho nos braços.
Ela já estava aqui quando muita coisa no mundo aconteceu. Das duas guerras, ela carrega consigo o hábito de guardar todas as sobras de comida porque nunca se sabe o que faltará amanhã. Mantém também todas as latas, potinhos e pacotes de todos os tamanhos guardados, afinal, em tempos de guerra as fábricas não funcionam, as embalagens são mais caras e tudo o que puder ser reaproveitado é bem vindo.
Ela também viveu durante a ditadura, mas isso pouco lhe afetou, afinal, para ela a vida era uma eterna espera pelo marido caminhoneiro, cuidar dos filhos, colher legumes do quintal, armazenar o cereal produzido nas chácaras, matar galinhas para a canja, tirar o leite da vaca. Pouco, ou talvez nada, vinha do mercado. Políticas públicas pouco lhe interessavam, seus filhos tinham escola e hospital, isso bastava. Jamais desperdiçaria com um jornal ou uma revista as valiosas moedas que poderiam render um picolé aos filhos. Se escutasse Caetano falando dos caracóis ou Chico aos seus caros amigos, talvez até as achasse as palavras bonitas, mas não as compreenderia, afinal, música para ela eram as polonesas, tocadas ao vivo na rádio aos domingos.
Ela fala polonês, mas nunca nos ensinou. Entendemos apenas umas expressões que resmunga quando fica brava. Sempre achamos que fossem palavrões, até descobrirmos que ela jamais falaria algo proibido, apenas pedia a benção divina para os desobedientes.
Ela não é um exemplo de candura e muitas vezes acho que é um exemplo de como não se deve ser. É extremista, pudica, preconceituosa, rude e teimosa. E o maior dos seus defeitos e o que mais me maltrata é que ela é meu espelho. A imagem é distorcida, é claro, afinal, entre o meu nascimento e o dela se passaram 60 anos. Este reflexo é pior em muitos aspectos e melhor noutros poucos.
Seu nome é Maria e ela é Marias. É a Maria de Elis Regina, “é o som, é a dor, é o suor, é dose mais forte, lenta, de uma gente que ri quando deve chorar e não vive, apenas agüenta”. De vez quando parece Maria Bonita de Lampião, com garra e coragem para enfrentar qualquer desafio, qualquer sertão. É também a Maria Mãe de Jesus, que sofre pelos seus filhos e para cada cruz que cada um deles carrega, ela leva outras três, rezando terços e assistindo a missas ao longo do seu calvário.
E dentre tantas outras Marias que ainda não foram citadas e que estão dentro dela, tem a Maria de Chico Buarque, aquela Maria sobre a qual não queremos falar, mas às vezes é inevitável. Aquela Maria que lembra mar, que lembra um assobio, que lembra um sofrimento, que ela não merecia.
Tenho medo de ficar com ela e tenho medo de não ser como ela. Dona de uma força que é só sua, mas ao mesmo tempo dona de uma resignação que não lhe permite sonhar.
Talvez eu também, depois de toda uma vida, desaprenda a sorrir. Se aos 23 anos acho que se parar para pensar sobre tudo o que há de errado eu deixarei de sonhar, quem dirá quando eu tiver a idade dela e tenha tempo apenas para pensar, já que o corpo não obedece mais e nem mesmo a mais simples atividade pode ser feita sem o auxílio de alguém.
Hoje ela voltou a sorrir, ou talvez esteja sorrindo pela primeira vez. Não há ninguém que tenha estado ao lado dela sua vida toda para contar com certeza. Uma pena que tenha aprendido a gargalhar quando deixou de ser velha e voltou a ser criança. Tudo isso aos 82 anos, no enterro da filha 30 anos mais nova que ela, quando a tristeza foi tanta que a razão não resistiu.
Saudades,
Helena, um tanto melancólica, um tanto Carolina...
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Eu que não fumo QUERIA um cigarro
“Você tem exatamente, três mil horas pra parar de me beijar
Meu bem, você tem tudo, tudo pra me conquistar.
Você tem apenas um segundo, um segundo pra aprender a me amar.
Você tem a vida inteira, baby, a vida inteira pra me devorar”
Sempre lembro desse trecho de música quando me vem a cabeça alguns encontros que tive. Encontros casuais, que se não fossem, seriam ridículos. Não acredito em sorte ou destino, mas em acasos. A vida também têm dessas, e os acasos tem a vida. Igual aquela frase do Vinícius que diz: “a vida é feita de encontros, embora hajam tantos desencontros pela vida” (mais ou menos assim).
O acaso produz situações inesperadas, geralmente ricas e fortes. É ‘só’ estar no lugar certo, na hora certa e ser o tipo de pessoa que atraia um outro determinado tipo de pessoa, simples não!?!? Nem tanto, nem tanto!! Contraditoriamente temos que estar preparados para o acaso, no sentido de estarmos abertos a todo e qualquer inesperado que a vida pode nos proporcionar, mas o problema é que nem sempre estamos.
Pra contrariar qualquer racionalista ingênuo, o tempo todo idealizo (não vou ousar a meter todo mundo nisso) coisas, pessoas, lugares, o passado, o presente, o futuro. O passado que sempre fica melhor nas lembraças do que realmente foi, o presente que não vivo pensando no futuro que sonho. Oras! Seria tão mais simples parar de idealizar e viver, mas quem disse que é fácil?!!?
Geralmente não tenho coragem pra dizer tudo que eu penso, então prefiro que outros digam por mim. No entanto, fico prejudicada pois as pessoas não são adivinhas, e na maioria das vezes não fazem o que eu queria que fizessem pelo simples fato de eu não dar palpites. Não digo isso em relação aos afazeres da vida: estudo, trabalho, essas rotinas do tempo. Falo em relação a coisas que geralmente nos tornam mais vibrantes, frenéticos, dançantes, enfim, as paixões, os amores, as paqueras, os flertes.
Falo dos acasos, pois não acredito em destino. Não, não é cetismo, é simplesmente saber que nós fizemos a nossa história, logicamente que rodeados das circunstâncias e limites de cada momento. Pronto! É justamente esse o ponto que me dá calafrios de pensar. Saber que no fundo os acontecimentos da nossa vida dependem da gente e dos acasos, que, no limite, também os fazemos, ou seja, saber ousar, experimentar e se deixar levar. Sabores e dissabores, encontros e desencontros.
E, assim, é claro, nem sempre a vida dá certo. Gosto de fazer a boba comparação com o jogo da velha, “nem sempre dá certo”!! Eu, como tenho alma de Carolina, sempre lembro da poesia da Florbela Espanca, na parte do desencontro, obviamente: “sou talvez a visão que Alguém sonhou / Alguém que veio ao mundo pra me ver / E que nunca na vida me encontrou”.
- “Ahhh! Que coisa horrorosa”, dirão muitos. Alívio pra eles que são o tempo todo decididos, cheios de si e certeiros! Match Point – digo eu. Bem no estilo Wood Allen.
Ps. O que tem haver o trecho da música lá encima?? Certamente a coragem de dizer tudo aquilo que não consigo, principalmente fazer os segundos virarem muito tempo, e, intensamente, fazer o muito tempo virar segundos.
Com atraso, receio e desculpas,
Carolina.
Meu bem, você tem tudo, tudo pra me conquistar.
Você tem apenas um segundo, um segundo pra aprender a me amar.
Você tem a vida inteira, baby, a vida inteira pra me devorar”
Sempre lembro desse trecho de música quando me vem a cabeça alguns encontros que tive. Encontros casuais, que se não fossem, seriam ridículos. Não acredito em sorte ou destino, mas em acasos. A vida também têm dessas, e os acasos tem a vida. Igual aquela frase do Vinícius que diz: “a vida é feita de encontros, embora hajam tantos desencontros pela vida” (mais ou menos assim).
O acaso produz situações inesperadas, geralmente ricas e fortes. É ‘só’ estar no lugar certo, na hora certa e ser o tipo de pessoa que atraia um outro determinado tipo de pessoa, simples não!?!? Nem tanto, nem tanto!! Contraditoriamente temos que estar preparados para o acaso, no sentido de estarmos abertos a todo e qualquer inesperado que a vida pode nos proporcionar, mas o problema é que nem sempre estamos.
Pra contrariar qualquer racionalista ingênuo, o tempo todo idealizo (não vou ousar a meter todo mundo nisso) coisas, pessoas, lugares, o passado, o presente, o futuro. O passado que sempre fica melhor nas lembraças do que realmente foi, o presente que não vivo pensando no futuro que sonho. Oras! Seria tão mais simples parar de idealizar e viver, mas quem disse que é fácil?!!?
Geralmente não tenho coragem pra dizer tudo que eu penso, então prefiro que outros digam por mim. No entanto, fico prejudicada pois as pessoas não são adivinhas, e na maioria das vezes não fazem o que eu queria que fizessem pelo simples fato de eu não dar palpites. Não digo isso em relação aos afazeres da vida: estudo, trabalho, essas rotinas do tempo. Falo em relação a coisas que geralmente nos tornam mais vibrantes, frenéticos, dançantes, enfim, as paixões, os amores, as paqueras, os flertes.
Falo dos acasos, pois não acredito em destino. Não, não é cetismo, é simplesmente saber que nós fizemos a nossa história, logicamente que rodeados das circunstâncias e limites de cada momento. Pronto! É justamente esse o ponto que me dá calafrios de pensar. Saber que no fundo os acontecimentos da nossa vida dependem da gente e dos acasos, que, no limite, também os fazemos, ou seja, saber ousar, experimentar e se deixar levar. Sabores e dissabores, encontros e desencontros.
E, assim, é claro, nem sempre a vida dá certo. Gosto de fazer a boba comparação com o jogo da velha, “nem sempre dá certo”!! Eu, como tenho alma de Carolina, sempre lembro da poesia da Florbela Espanca, na parte do desencontro, obviamente: “sou talvez a visão que Alguém sonhou / Alguém que veio ao mundo pra me ver / E que nunca na vida me encontrou”.
- “Ahhh! Que coisa horrorosa”, dirão muitos. Alívio pra eles que são o tempo todo decididos, cheios de si e certeiros! Match Point – digo eu. Bem no estilo Wood Allen.
Ps. O que tem haver o trecho da música lá encima?? Certamente a coragem de dizer tudo aquilo que não consigo, principalmente fazer os segundos virarem muito tempo, e, intensamente, fazer o muito tempo virar segundos.
Com atraso, receio e desculpas,
Carolina.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
The end
Gosto particularmente de filmes que não tenham finais felizes. Finais românticos felizes. Passei a semana inteira com essas duas frases na cabeça, sabendo que escreveria sobre isso, mas não como continuar. Em um de seus haicais, Leminski renuncia a realidade, “esse baixo-astral onde tudo entra pelo cano” e diz querer viver de verdade, escolhendo o cinema americano.
O filme que me fez ver como eu gosto de histórias de amor que não precisam terminar bem não vem ao caso. Até porque ele fala da relação entre mães e filhas, o que já foi abordado nesse blog. Apesar de ser americano, não há final feliz com o casal, embora tudo pareça ser encaminhado para isso. O final não-romântico, mas real, salva o filme dessa mediocridade de que para sermos felizes, precisamos encontrar o homem/mulher de nossas vidas e, assim, dissipar todo o mal que possa existir.
Crescemos ouvindo, lendo e vendo que o final deveria assim. E tudo isso o que escrevi se parece com o velho e batido “felizes para sempre” dos contos de fada. Por que não gosto de finais românticos felizes? Ora, simplesmente, porque isso não condiz com nossa vida, que é contínua e carrega fins e recomeços todos os dias. E mesmo diante da morte (o maior final), e olhando para trás, creio que a gente não vai saber se viveu realmente feliz para sempre algum dia. (No terreno do além eu nem vou adentrar).
Sei que, em qualquer esfera, a gente escolhe, renuncia, termina, volta, esquece, passa por cima, encontra outros amores/empregos/amigos e vive tudo novamente. E mesmo que seja sempre o mesmo a vida inteira, os ciclos ainda existem e sem eles tudo perderia a graça, até mesmo a graça dos contos de fadas. (Lembrei de Vinícius, que tem um poema onde conta a história de uma vida – com ênfase ao amor – em 14 versos. Eis alguns: “...E começar a amar e então sorrir/ E então sorrir para poder chorar/ E crescer, e saber, e haver, e perder, e sofrer, e ter horror/ De ser e amar, e se sentir maldito/ E esquecer tudo ao vir um novo amor...).
Sei também que toda boa história precisa terminar. (Menos as de Sherazade, onde o fim da história seria a própria sentença de morte). A narrativa é um recorte, um fragmento de uma ou mais vidas, capazes de distanciar o leitor da sua própria realidade por instantes e até provocar nele uma catarse. Depois disso, se a história do filme realmente for boa, aquele que o assistir não será mais o mesmo. O final de um livro, de um filme ou até de uma narrativa musicada representa, acredito eu, também o final de um personagem, de uma vida contada. Talvez por isso, incomoda-me tanto as continuações no cinema.
Finais têm me arrancado noites de sono e me rendido boas reflexões nos últimos meses. Embora saiba que todo fim traz em si um recomeço, a dor do término e principalmente a incerteza, quando se trata de renúncias, são um calo no meu sapato. Sabe aquela sensação de epitáfio? Aquela de “deveria ter feito isso, aproveitado enquanto era hora, escolhido tal coisa, renunciado a tal outra enquanto dava tempo, mudado de cidade, de casa, de ares”? Nosso genitor Chico compôs “Vida”, que é tanto uma narrativa, como um desabafo de uma mulher que verteu sua vida nas casas dos homens de vida vadia, fez poucas e boas, mas sabe que ali foi feliz. Acho linda a música, principalmente porque fala de portos, de cais, metáforas certeiras para se falar de vida. Talvez porque seja mesmo o final das coisas um porto. Pegar o barco e sumir no horizonte requer coragem para arriscar a pele, mas proporciona belas paisagens.
Uma vez li uma crônica do Veríssimo em que o protagonista bebia desolado em um bar imaginando como seria sua vida se tivesse feito determinadas escolhas. E como se num passe de mágica, ou por efeito do álcool - vai saber, as alternativas se materializam diante dele. Aparece o homem que ele teria sido se tivesse feito um teste para goleiro, se tivesse prestado concurso, se tivesse casado com uma antiga namorada... Todos eles foram mais infelizes. É uma tentativa interessante de se provar que a gente tem que viver mesmo com um pé no futuro e não no passado e nem no “e se” que, aliás, é o nome da crônica.
Para não dizer que não falei de mulheres, preciso compartilhar da letra linda que ouvi na voz de Elis Regina. “Maria Rosa” é o nome da música e, pra variar, fala de finais. Para ser mais exata, o final de uma menina que “era um anjo de formosa” e que hoje vive em farrapos. E cada trapo que veste não é apenas necessidade, mas representa uma saudade de algum amor que passou. E de repente comecei a pensar que triste era a vida Maria Rosa. De cabelos grisalhos já devia carregar inúmeros farrapos, mas e eu, tão nova, quantos trago em mim? (Juro que me arrepiei quando ouvi o final da música – justo o final! – que diz: Vocês, Marias de agora, amem somente uma vez / Pra que mais tarde essa capa não sirva em vocês).
Dizem que os escritores costumam escrever para extirpar os fantasmas que lhes assombram. Como os meus atualmente são os finais, acredito que depois desse texto eles não devam me incomodar mais. Mas não posso garantir que os cemitérios deixem de existir na minha cabeça.
A Rosa
(Não arraso projeto de vida nenhum – a não ser o meu. Não sei sambar – e não tenho vergonha de assumir isso em pleno de carnaval. Não sou artista, ando levemente bandida e só um pouco falsa – porque ninguém é de ferro. Vadia, não. Não atualmente. Nunca tive vocação pra gueixa. Ser santa e fogosa deve fazer parte de todas nós, mulheres de Atenas, por isso não me descreve apenas. Por que estou Rosa, então? Sei lá, só porque me gusta estar, e não ser, Rosa...)
O filme que me fez ver como eu gosto de histórias de amor que não precisam terminar bem não vem ao caso. Até porque ele fala da relação entre mães e filhas, o que já foi abordado nesse blog. Apesar de ser americano, não há final feliz com o casal, embora tudo pareça ser encaminhado para isso. O final não-romântico, mas real, salva o filme dessa mediocridade de que para sermos felizes, precisamos encontrar o homem/mulher de nossas vidas e, assim, dissipar todo o mal que possa existir.
Crescemos ouvindo, lendo e vendo que o final deveria assim. E tudo isso o que escrevi se parece com o velho e batido “felizes para sempre” dos contos de fada. Por que não gosto de finais românticos felizes? Ora, simplesmente, porque isso não condiz com nossa vida, que é contínua e carrega fins e recomeços todos os dias. E mesmo diante da morte (o maior final), e olhando para trás, creio que a gente não vai saber se viveu realmente feliz para sempre algum dia. (No terreno do além eu nem vou adentrar).
Sei que, em qualquer esfera, a gente escolhe, renuncia, termina, volta, esquece, passa por cima, encontra outros amores/empregos/amigos e vive tudo novamente. E mesmo que seja sempre o mesmo a vida inteira, os ciclos ainda existem e sem eles tudo perderia a graça, até mesmo a graça dos contos de fadas. (Lembrei de Vinícius, que tem um poema onde conta a história de uma vida – com ênfase ao amor – em 14 versos. Eis alguns: “...E começar a amar e então sorrir/ E então sorrir para poder chorar/ E crescer, e saber, e haver, e perder, e sofrer, e ter horror/ De ser e amar, e se sentir maldito/ E esquecer tudo ao vir um novo amor...).
Sei também que toda boa história precisa terminar. (Menos as de Sherazade, onde o fim da história seria a própria sentença de morte). A narrativa é um recorte, um fragmento de uma ou mais vidas, capazes de distanciar o leitor da sua própria realidade por instantes e até provocar nele uma catarse. Depois disso, se a história do filme realmente for boa, aquele que o assistir não será mais o mesmo. O final de um livro, de um filme ou até de uma narrativa musicada representa, acredito eu, também o final de um personagem, de uma vida contada. Talvez por isso, incomoda-me tanto as continuações no cinema.
Finais têm me arrancado noites de sono e me rendido boas reflexões nos últimos meses. Embora saiba que todo fim traz em si um recomeço, a dor do término e principalmente a incerteza, quando se trata de renúncias, são um calo no meu sapato. Sabe aquela sensação de epitáfio? Aquela de “deveria ter feito isso, aproveitado enquanto era hora, escolhido tal coisa, renunciado a tal outra enquanto dava tempo, mudado de cidade, de casa, de ares”? Nosso genitor Chico compôs “Vida”, que é tanto uma narrativa, como um desabafo de uma mulher que verteu sua vida nas casas dos homens de vida vadia, fez poucas e boas, mas sabe que ali foi feliz. Acho linda a música, principalmente porque fala de portos, de cais, metáforas certeiras para se falar de vida. Talvez porque seja mesmo o final das coisas um porto. Pegar o barco e sumir no horizonte requer coragem para arriscar a pele, mas proporciona belas paisagens.
Uma vez li uma crônica do Veríssimo em que o protagonista bebia desolado em um bar imaginando como seria sua vida se tivesse feito determinadas escolhas. E como se num passe de mágica, ou por efeito do álcool - vai saber, as alternativas se materializam diante dele. Aparece o homem que ele teria sido se tivesse feito um teste para goleiro, se tivesse prestado concurso, se tivesse casado com uma antiga namorada... Todos eles foram mais infelizes. É uma tentativa interessante de se provar que a gente tem que viver mesmo com um pé no futuro e não no passado e nem no “e se” que, aliás, é o nome da crônica.
Para não dizer que não falei de mulheres, preciso compartilhar da letra linda que ouvi na voz de Elis Regina. “Maria Rosa” é o nome da música e, pra variar, fala de finais. Para ser mais exata, o final de uma menina que “era um anjo de formosa” e que hoje vive em farrapos. E cada trapo que veste não é apenas necessidade, mas representa uma saudade de algum amor que passou. E de repente comecei a pensar que triste era a vida Maria Rosa. De cabelos grisalhos já devia carregar inúmeros farrapos, mas e eu, tão nova, quantos trago em mim? (Juro que me arrepiei quando ouvi o final da música – justo o final! – que diz: Vocês, Marias de agora, amem somente uma vez / Pra que mais tarde essa capa não sirva em vocês).
Dizem que os escritores costumam escrever para extirpar os fantasmas que lhes assombram. Como os meus atualmente são os finais, acredito que depois desse texto eles não devam me incomodar mais. Mas não posso garantir que os cemitérios deixem de existir na minha cabeça.
A Rosa
(Não arraso projeto de vida nenhum – a não ser o meu. Não sei sambar – e não tenho vergonha de assumir isso em pleno de carnaval. Não sou artista, ando levemente bandida e só um pouco falsa – porque ninguém é de ferro. Vadia, não. Não atualmente. Nunca tive vocação pra gueixa. Ser santa e fogosa deve fazer parte de todas nós, mulheres de Atenas, por isso não me descreve apenas. Por que estou Rosa, então? Sei lá, só porque me gusta estar, e não ser, Rosa...)
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Todas as cartas de amor são ridículas
“As bocas eram encaixe perfeito. Poderiam passar o resto da vida encantadas. Poderiam retardar o nascimento do dia, esconder o sol em alguma caixa mágica, apagar o dia e ser eterna noite. Poderiam estabelecer uma nova ordem mundial, fazer prevalecer o amor sobre as guerras, sobre qualquer violência. Poderiam apagar as luzes da cidade, deixar as estrelas iluminando a escura noite. Poderiam ficar nus no Jabaquara ou em Trindade, fazer amor dentro da noite eterna. Poderiam mas não o fizeram. Partiram para rumos contrários. As noites se sucederam tão efêmeras como uma flor do campo ou como a própria vida”. (Flávio Machado)
O amor acaba nas pequenas coisas da vida, já disse Paulo Mendes Campos*. O amor termina quando tentamos dar-lhe um nome, revelou Clarice**. Mas como é que ele começa?
Não vim para tentar explicar o amor, mesmo porque, acredito eu, ele é inexplicável. Não faltam músicas, textos e provas de amor que tentam esclarecê-lo, materializá-lo, contudo, para nada elas servem. Às vezes apenas para nos fazerem chorar. (Eu hoje eu acordei tão só, mais só do que eu merecia. Eu acho que será pra sempre, mas sempre não é todo dia – traindo Chico, cito Oswaldo).
Olho para meus pais, que neste ano comemoram 25 anos de casados, e penso em qual será o segredo. Então, depois de muito observar, eu percebo que amar não é não conseguir viver sem uma pessoa, mas conseguir viver com ela. Odiá-la por cada defeito e ao mesmo tempo conviver e sobreviver a eles.
Há alguns dias eu revivi, por poucos instantes, momentos da época em que, talvez, tenha vivido meu único amor verdadeiro. Sentimento que já não existe mais, é apenas uma saudade, como a infância que sabemos que jamais retornará.
Por muitas vezes pensei que era amor. Ao seu jeito, talvez cada um tenha realmente sido amor, mas nenhum deles foi suficiente para eu ter certeza. O ‘amor’ que eu reencontrei foi aquele com o qual não se pensa em casar, ao qual não queremos dar nome, ao qual apenas curtimos e achamos graça em estar juntos. Amor de criança, puro e sincero. Foi o único amor ao qual escrevi uma carta e que, pelo jeito, irá para sempre me denunciar.
Quem nunca escreveu uma carta de amor, não a escreva, ela será para sempre lembrada e não importa quão linda ela seja, será ridícula. E, se já a escreveu ou um dia escrever, caso não pareça ridícula, sinto muito, você não tem talento para cartas de amor.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor
“Eu ainda tenho a carta e o laço do cabelo”, disse-me alguém ao pé do ouvido. Quem mais poderia tê-los senão ele? Virei atônita, com um calafrio do dedão do pé ao último fio de cabelo, quase sem respirar. Não gosto nem de imaginar meu rosto, pois ele sempre fica ainda mais feio quando estou com medo ou assustada, e naquela ocasião eu sentia isso e um pouco mais.
Não sei quanto tempo se passa para uma pessoa girar em torno de si própria, não mais que cinco segundos, imagino. Mas, sendo muito ou pouco tempo, foi o suficiente para lembrar da carta e do laço e de como eles foram parar lá.
Ele continuava moreno. Antes, moreninho. Agora, morenão. Seus olhos verdes esverdearam mais com o passar dos anos e eu não conseguiria vê-los de tão perto se ele não estivesse inclinado para falar comigo. Naquela época ele media apenas dois dedos a mais do que eu e hoje meu salto mais alto não seria suficiente para alcançá-lo.
Enfim, talvez eu não o reconhecesse se não tivesse falado comigo. É provável que o visse e nem cumprimentasse, com aquela impressão de que o conhecia de algum lugar.
Não sei ao certo quando nos vimos pela primeira vez. Lembro que estávamos juntos numa peça de teatro e que era tio de uma amiga. Aquele tio que chega mais tarde, tão jovem quanto a sobrinha. Então, depois de alguns passeios, ensaios e muita paquera, o primeiro beijo aconteceu. Não lembro direito como, lembro apenas do frio na barriga. Em seguida entreguei-lhe uma carta escrita por mim e aprovada por uma comissão de amigas, cheia de versos que nem quero lembrar de tão bobos que eram.
Dez anos depois aqueles olhos verdes falavam comigo novamente. “Continue guardando o laço do cabelo, pois com essa moda que vai e volta, talvez você possa usá-lo em alguma ocasião especial. Mas a carta... (neste momento, se ainda não estava vermelha, é certo que corei!) A carta é ridícula! Não serve nem de modelo para mandar a alguma namorada”, responderam meus olhos cor de mel ao par de olhos verdes que me olhavam fixamente. Ainda ao pé do ouvido ele retrucou com aquele sorriso que fez bambear as minhas pernas: “Todas as cartas de amor são ridículas”.
Só então demos um abraço apertado, de velhos amigos felizes em se encontrar, e seguimos a conversa falando da vida e do que tínhamos inventado desde que, na janela do ônibus, ele se despediu, dizendo que não sabia quando voltaria. Agora sabemos: 10 anos!
O laço do cabelo ele confiscou num dos nossos encontros. Era preto, básico. Se eu ainda o tivesse talvez o usasse para conquistar outro rapaz. Quem sabe seja exatamente este ‘charme’ que me falte agora. Depois que ele foi embora descobri que levava de mim o laço e a carta, mas carregava o coração de outras três meninas, no mínimo. (ABRE PARENTESES Desde o primeiro beijo já tendo desilusões com os homens FECHA PARENTESES). Porém, de tudo o que levou, somente o laço e a carta ele ainda tem. Os três corações, que eu sei, já têm outros donos.
Rimos e lembramos dos amigos. Falamos bem e mal de cada um. Só nos demos conta de que estávamos conversando há quase meia hora quando percebemos que os funcionários da livraria estavam pensando em nos expulsar, ou servir um cafezinho para nos sentirmos mais à vontade.
Que maravilha! Ele saiu de lá com um livro de engenharia, um Fernanda Young para a sobrinha que estava se formando e um Veríssimo, porque, segundo ele, ninguém é de ferro e até engenheiros precisam esquecer as contas e rir um pouco. O garotinho bobo, que ficou o verão de castigo porque reprovou, ficara inteligente.
Simpático, bonito e inteligente! Ele deve ter chulé! Mas isso não é nada. O que mais eu poderia querer? Seu telefone, é claro.
Depois de telefones e MSNs trocados, um abraço e os desejos habituais de felicidades. Só quando entrei no carro é que percebi que novamente demos tchau sem saber quando nos veríamos.
Eu não liguei, nem ele. Também não nos encontramos no bate papo e, por enquanto, terminamos assim.
Só agora, depois de escrever e reler, é que percebo que talvez este texto tão pobre não devesse ser publicado. E, como diria Álvaro de Campos, “a verdade é que hoje as minhas memórias dessas cartas de amor é que são ridículas”.
Um abraço.
Momentaneamente, Terezinha
PS: Hoje eu sou um pouco Terezinha, que depois de vários amores ‘falsos’, encontrou o verdadeiro, para quem se doou inteiramente. Porém, não sou Terezinha por completo, afinal, ainda espero o terceiro, aquele que chegará para se espalhar definitivamente em meu coração. “O primeiro me chegou como quem vem do florista/ Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista... /Me chamava de rainha/ Me encontrou tão desarmada, que tocou meu coração/ Mas não me negava nada e, assustada, eu disse não.
O segundo me chegou como quem chega do bar/ Trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar.../ Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração/Mas não me entregava nada e, assustada, eu disse não.
O terceiro me chegou como quem chega do nada/ Ele não me trouxe nada, porém nada perguntou.../ Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não/ Se espalhou feito um posseiro dentro do meu coração”.
E, se fosse apenas pela história que contei, talvez eu devesse assinar como Cecília, afinal, “pode ser que, entreabertos/ meus lábios de leve/ tremessem por ti”.
*O amor acaba, de Paulo Mendes Campos http://www.angelfire.com/la2/poeta/Oamoracaba.htm
**Por não estarem distraídos, de Clarice Lispector http://claricelispector.blogspot.com/2007/12/por-no-estarem-distrados.html
O amor acaba nas pequenas coisas da vida, já disse Paulo Mendes Campos*. O amor termina quando tentamos dar-lhe um nome, revelou Clarice**. Mas como é que ele começa?
Não vim para tentar explicar o amor, mesmo porque, acredito eu, ele é inexplicável. Não faltam músicas, textos e provas de amor que tentam esclarecê-lo, materializá-lo, contudo, para nada elas servem. Às vezes apenas para nos fazerem chorar. (Eu hoje eu acordei tão só, mais só do que eu merecia. Eu acho que será pra sempre, mas sempre não é todo dia – traindo Chico, cito Oswaldo).
Olho para meus pais, que neste ano comemoram 25 anos de casados, e penso em qual será o segredo. Então, depois de muito observar, eu percebo que amar não é não conseguir viver sem uma pessoa, mas conseguir viver com ela. Odiá-la por cada defeito e ao mesmo tempo conviver e sobreviver a eles.
Há alguns dias eu revivi, por poucos instantes, momentos da época em que, talvez, tenha vivido meu único amor verdadeiro. Sentimento que já não existe mais, é apenas uma saudade, como a infância que sabemos que jamais retornará.
Por muitas vezes pensei que era amor. Ao seu jeito, talvez cada um tenha realmente sido amor, mas nenhum deles foi suficiente para eu ter certeza. O ‘amor’ que eu reencontrei foi aquele com o qual não se pensa em casar, ao qual não queremos dar nome, ao qual apenas curtimos e achamos graça em estar juntos. Amor de criança, puro e sincero. Foi o único amor ao qual escrevi uma carta e que, pelo jeito, irá para sempre me denunciar.
Quem nunca escreveu uma carta de amor, não a escreva, ela será para sempre lembrada e não importa quão linda ela seja, será ridícula. E, se já a escreveu ou um dia escrever, caso não pareça ridícula, sinto muito, você não tem talento para cartas de amor.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor
“Eu ainda tenho a carta e o laço do cabelo”, disse-me alguém ao pé do ouvido. Quem mais poderia tê-los senão ele? Virei atônita, com um calafrio do dedão do pé ao último fio de cabelo, quase sem respirar. Não gosto nem de imaginar meu rosto, pois ele sempre fica ainda mais feio quando estou com medo ou assustada, e naquela ocasião eu sentia isso e um pouco mais.
Não sei quanto tempo se passa para uma pessoa girar em torno de si própria, não mais que cinco segundos, imagino. Mas, sendo muito ou pouco tempo, foi o suficiente para lembrar da carta e do laço e de como eles foram parar lá.
Ele continuava moreno. Antes, moreninho. Agora, morenão. Seus olhos verdes esverdearam mais com o passar dos anos e eu não conseguiria vê-los de tão perto se ele não estivesse inclinado para falar comigo. Naquela época ele media apenas dois dedos a mais do que eu e hoje meu salto mais alto não seria suficiente para alcançá-lo.
Enfim, talvez eu não o reconhecesse se não tivesse falado comigo. É provável que o visse e nem cumprimentasse, com aquela impressão de que o conhecia de algum lugar.
Não sei ao certo quando nos vimos pela primeira vez. Lembro que estávamos juntos numa peça de teatro e que era tio de uma amiga. Aquele tio que chega mais tarde, tão jovem quanto a sobrinha. Então, depois de alguns passeios, ensaios e muita paquera, o primeiro beijo aconteceu. Não lembro direito como, lembro apenas do frio na barriga. Em seguida entreguei-lhe uma carta escrita por mim e aprovada por uma comissão de amigas, cheia de versos que nem quero lembrar de tão bobos que eram.
Dez anos depois aqueles olhos verdes falavam comigo novamente. “Continue guardando o laço do cabelo, pois com essa moda que vai e volta, talvez você possa usá-lo em alguma ocasião especial. Mas a carta... (neste momento, se ainda não estava vermelha, é certo que corei!) A carta é ridícula! Não serve nem de modelo para mandar a alguma namorada”, responderam meus olhos cor de mel ao par de olhos verdes que me olhavam fixamente. Ainda ao pé do ouvido ele retrucou com aquele sorriso que fez bambear as minhas pernas: “Todas as cartas de amor são ridículas”.
Só então demos um abraço apertado, de velhos amigos felizes em se encontrar, e seguimos a conversa falando da vida e do que tínhamos inventado desde que, na janela do ônibus, ele se despediu, dizendo que não sabia quando voltaria. Agora sabemos: 10 anos!
O laço do cabelo ele confiscou num dos nossos encontros. Era preto, básico. Se eu ainda o tivesse talvez o usasse para conquistar outro rapaz. Quem sabe seja exatamente este ‘charme’ que me falte agora. Depois que ele foi embora descobri que levava de mim o laço e a carta, mas carregava o coração de outras três meninas, no mínimo. (ABRE PARENTESES Desde o primeiro beijo já tendo desilusões com os homens FECHA PARENTESES). Porém, de tudo o que levou, somente o laço e a carta ele ainda tem. Os três corações, que eu sei, já têm outros donos.
Rimos e lembramos dos amigos. Falamos bem e mal de cada um. Só nos demos conta de que estávamos conversando há quase meia hora quando percebemos que os funcionários da livraria estavam pensando em nos expulsar, ou servir um cafezinho para nos sentirmos mais à vontade.
Que maravilha! Ele saiu de lá com um livro de engenharia, um Fernanda Young para a sobrinha que estava se formando e um Veríssimo, porque, segundo ele, ninguém é de ferro e até engenheiros precisam esquecer as contas e rir um pouco. O garotinho bobo, que ficou o verão de castigo porque reprovou, ficara inteligente.
Simpático, bonito e inteligente! Ele deve ter chulé! Mas isso não é nada. O que mais eu poderia querer? Seu telefone, é claro.
Depois de telefones e MSNs trocados, um abraço e os desejos habituais de felicidades. Só quando entrei no carro é que percebi que novamente demos tchau sem saber quando nos veríamos.
Eu não liguei, nem ele. Também não nos encontramos no bate papo e, por enquanto, terminamos assim.
Só agora, depois de escrever e reler, é que percebo que talvez este texto tão pobre não devesse ser publicado. E, como diria Álvaro de Campos, “a verdade é que hoje as minhas memórias dessas cartas de amor é que são ridículas”.
Um abraço.
Momentaneamente, Terezinha
PS: Hoje eu sou um pouco Terezinha, que depois de vários amores ‘falsos’, encontrou o verdadeiro, para quem se doou inteiramente. Porém, não sou Terezinha por completo, afinal, ainda espero o terceiro, aquele que chegará para se espalhar definitivamente em meu coração. “O primeiro me chegou como quem vem do florista/ Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista... /Me chamava de rainha/ Me encontrou tão desarmada, que tocou meu coração/ Mas não me negava nada e, assustada, eu disse não.
O segundo me chegou como quem chega do bar/ Trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar.../ Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração/Mas não me entregava nada e, assustada, eu disse não.
O terceiro me chegou como quem chega do nada/ Ele não me trouxe nada, porém nada perguntou.../ Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não/ Se espalhou feito um posseiro dentro do meu coração”.
E, se fosse apenas pela história que contei, talvez eu devesse assinar como Cecília, afinal, “pode ser que, entreabertos/ meus lábios de leve/ tremessem por ti”.
*O amor acaba, de Paulo Mendes Campos http://www.angelfire.com/la2/poeta/Oamoracaba.htm
**Por não estarem distraídos, de Clarice Lispector http://claricelispector.blogspot.com/2007/12/por-no-estarem-distrados.html
domingo, 20 de janeiro de 2008
Sem querer ser pós-moderna, mas.. já sendo?
O melhor de não ter o que fazer é não fazer nada. Não exatamente um ócio criativo, mas um ócio libertino, eu diria. Tive acesso, então, nessas interfaces, a uma crônica da Martha Medeiros – “Pessoas Habitadas” – que me fez lembrar em muito nossos dilemas de hoje, de ontem, de sempre. Não vou me dar ao trabalho (porque temos direito à preguiça!) de contextualizar os problemas demasiado humanos da pós-modernidade – o vazio, o nada, o tudo, o poder, o não ter – como assistir Transpotting e ver a frase final cair como um martelo na sua cabeça “eu vivo pra ver o dia morrer”. Divagar por coisas tão simples que se tornam extremamente complexas, como disse já um grande pensador.
Bem, mas voltando ao início, o que seria então uma pessoa habitada? Segundo a cronista, esses seres “não recuam diante de encruzilhadas, não se amedrontam com transgressões, não adotam as opiniões dos outros para facilitar o diálogo. São pessoas que surpreendem com um gesto ou uma fala fora do script, sem nenhuma disposição para serem bonecos de ventríloquos. Ao contrário, encantam pela verdade pessoal que defendem”.
Fiquei pensando nisso com muita angústia. Será que eu sou uma pessoa habitada? Será que é fácil ser uma pessoa habitada? Porquê ser uma pessoa habitada?? Posso simplesmente não ser, ou não querer ser... Oww! My mind!!
Percebo que diante desse momento histórico que vivemos tudo torna-se muito propício à estagnação, nada acontece de muito vibrante. Como diz o personagem do filme Amor nos tempos de cólera – “o cotidiano enferruja”. Enferruja mesmo! Nossos sonhos de criança se esvaem, nossas expectativas adolescentes são desnudadas, nossas esperanças de adultos, well... já não digo nada!!
Em verdade temos mesmo é uma cultura do medo, medo de tentar, tentar e não dar certo, tentar e se frustrar, tentar e mudar, mudar enfim. A mudança assusta, e o que não percebemos é que nada é pra sempre, tudo muda, mas no calor do momento não nos damos conta.
Sempre tive uma alma inquieta, mas quando entrei pra universidade e tive acesso a outras leituras de vida, a outras experiências práticas, e aprendendo com quem já havia pensado e vivido tudo o que eu pensava e vivia agora fui me dando conta da experiência humana, do ser em si e para si. E isso não foi muito fácil.
Entrava, então, para o dilema do ‘olhar com os olhos que enxergam’ e ao fim descobrir que isso não é tão reconfortante, muito menos tranqüilizador. Me corroia – preferiria não saber. Por outro lado, certa vez um amigo me disse que se tinha medo das descobertas e tudo que isso trazia no seu bojo era melhor ficar no meu cantinho, escondida, enquadrada. Não! Mas isso não! São escolhas, muitas vezes inconscientes, mas escolhas.
Como diz o filósofo Chorão “cada escolha uma renúncia, isso é a vida”. Então, continuava pelo mesmo caminho, agora sabendo por quais estradas me levava, mesmo ignorante do lugar que chegaria – se chegaria. No limite, apenas sei dizer que muitas vezes – muito mais do que gostaria – aqui, não tem gente em casa!
Ps. Antes de postar mostrei o escrito para Beatriz que numa frase grave sincera disse – ‘so sad!’. Mas que posso eu fazer se tenho alma de Carolina - o mesmo progenitor de Beatriz e Helena, que sabe falar de tão diferentes mulheres?? A Carolina do Chico me lembra os poemas de Florbela, a da alma inquieta, que sentia saudade, sabe-se lá do quê.
“...Carolina, nos seus olhos fundos guarda tanta dor, a dor de todo esse mundo / Eu já lhe expliquei, que não vai dar, seu pranto não vai nada ajudar / Eu já convidei para dançar, é hora, já sei, de aproveitar / Carolina, nos seus olhos tristes, guarda tanto amor, o amor que já não existe / Eu bem que avisei, vai acabar, de tudo lhe dei para aceitar / Mil versos cantei pra lhe agradar, agora não sei como explicar...”
Saudações,
Carolina.
Bem, mas voltando ao início, o que seria então uma pessoa habitada? Segundo a cronista, esses seres “não recuam diante de encruzilhadas, não se amedrontam com transgressões, não adotam as opiniões dos outros para facilitar o diálogo. São pessoas que surpreendem com um gesto ou uma fala fora do script, sem nenhuma disposição para serem bonecos de ventríloquos. Ao contrário, encantam pela verdade pessoal que defendem”.
Fiquei pensando nisso com muita angústia. Será que eu sou uma pessoa habitada? Será que é fácil ser uma pessoa habitada? Porquê ser uma pessoa habitada?? Posso simplesmente não ser, ou não querer ser... Oww! My mind!!
Percebo que diante desse momento histórico que vivemos tudo torna-se muito propício à estagnação, nada acontece de muito vibrante. Como diz o personagem do filme Amor nos tempos de cólera – “o cotidiano enferruja”. Enferruja mesmo! Nossos sonhos de criança se esvaem, nossas expectativas adolescentes são desnudadas, nossas esperanças de adultos, well... já não digo nada!!
Em verdade temos mesmo é uma cultura do medo, medo de tentar, tentar e não dar certo, tentar e se frustrar, tentar e mudar, mudar enfim. A mudança assusta, e o que não percebemos é que nada é pra sempre, tudo muda, mas no calor do momento não nos damos conta.
Sempre tive uma alma inquieta, mas quando entrei pra universidade e tive acesso a outras leituras de vida, a outras experiências práticas, e aprendendo com quem já havia pensado e vivido tudo o que eu pensava e vivia agora fui me dando conta da experiência humana, do ser em si e para si. E isso não foi muito fácil.
Entrava, então, para o dilema do ‘olhar com os olhos que enxergam’ e ao fim descobrir que isso não é tão reconfortante, muito menos tranqüilizador. Me corroia – preferiria não saber. Por outro lado, certa vez um amigo me disse que se tinha medo das descobertas e tudo que isso trazia no seu bojo era melhor ficar no meu cantinho, escondida, enquadrada. Não! Mas isso não! São escolhas, muitas vezes inconscientes, mas escolhas.
Como diz o filósofo Chorão “cada escolha uma renúncia, isso é a vida”. Então, continuava pelo mesmo caminho, agora sabendo por quais estradas me levava, mesmo ignorante do lugar que chegaria – se chegaria. No limite, apenas sei dizer que muitas vezes – muito mais do que gostaria – aqui, não tem gente em casa!
Ps. Antes de postar mostrei o escrito para Beatriz que numa frase grave sincera disse – ‘so sad!’. Mas que posso eu fazer se tenho alma de Carolina - o mesmo progenitor de Beatriz e Helena, que sabe falar de tão diferentes mulheres?? A Carolina do Chico me lembra os poemas de Florbela, a da alma inquieta, que sentia saudade, sabe-se lá do quê.
“...Carolina, nos seus olhos fundos guarda tanta dor, a dor de todo esse mundo / Eu já lhe expliquei, que não vai dar, seu pranto não vai nada ajudar / Eu já convidei para dançar, é hora, já sei, de aproveitar / Carolina, nos seus olhos tristes, guarda tanto amor, o amor que já não existe / Eu bem que avisei, vai acabar, de tudo lhe dei para aceitar / Mil versos cantei pra lhe agradar, agora não sei como explicar...”
Saudações,
Carolina.
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