segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Eu que não fumo QUERIA um cigarro

“Você tem exatamente, três mil horas pra parar de me beijar
Meu bem, você tem tudo, tudo pra me conquistar.
Você tem apenas um segundo, um segundo pra aprender a me amar.
Você tem a vida inteira, baby, a vida inteira pra me devorar”

Sempre lembro desse trecho de música quando me vem a cabeça alguns encontros que tive. Encontros casuais, que se não fossem, seriam ridículos. Não acredito em sorte ou destino, mas em acasos. A vida também têm dessas, e os acasos tem a vida. Igual aquela frase do Vinícius que diz: “a vida é feita de encontros, embora hajam tantos desencontros pela vida” (mais ou menos assim).

O acaso produz situações inesperadas, geralmente ricas e fortes. É ‘só’ estar no lugar certo, na hora certa e ser o tipo de pessoa que atraia um outro determinado tipo de pessoa, simples não!?!? Nem tanto, nem tanto!! Contraditoriamente temos que estar preparados para o acaso, no sentido de estarmos abertos a todo e qualquer inesperado que a vida pode nos proporcionar, mas o problema é que nem sempre estamos.

Pra contrariar qualquer racionalista ingênuo, o tempo todo idealizo (não vou ousar a meter todo mundo nisso) coisas, pessoas, lugares, o passado, o presente, o futuro. O passado que sempre fica melhor nas lembraças do que realmente foi, o presente que não vivo pensando no futuro que sonho. Oras! Seria tão mais simples parar de idealizar e viver, mas quem disse que é fácil?!!?

Geralmente não tenho coragem pra dizer tudo que eu penso, então prefiro que outros digam por mim. No entanto, fico prejudicada pois as pessoas não são adivinhas, e na maioria das vezes não fazem o que eu queria que fizessem pelo simples fato de eu não dar palpites. Não digo isso em relação aos afazeres da vida: estudo, trabalho, essas rotinas do tempo. Falo em relação a coisas que geralmente nos tornam mais vibrantes, frenéticos, dançantes, enfim, as paixões, os amores, as paqueras, os flertes.

Falo dos acasos, pois não acredito em destino. Não, não é cetismo, é simplesmente saber que nós fizemos a nossa história, logicamente que rodeados das circunstâncias e limites de cada momento. Pronto! É justamente esse o ponto que me dá calafrios de pensar. Saber que no fundo os acontecimentos da nossa vida dependem da gente e dos acasos, que, no limite, também os fazemos, ou seja, saber ousar, experimentar e se deixar levar. Sabores e dissabores, encontros e desencontros.

E, assim, é claro, nem sempre a vida dá certo. Gosto de fazer a boba comparação com o jogo da velha, “nem sempre dá certo”!! Eu, como tenho alma de Carolina, sempre lembro da poesia da Florbela Espanca, na parte do desencontro, obviamente: “sou talvez a visão que Alguém sonhou / Alguém que veio ao mundo pra me ver / E que nunca na vida me encontrou”.
- “Ahhh! Que coisa horrorosa”, dirão muitos. Alívio pra eles que são o tempo todo decididos, cheios de si e certeiros! Match Point – digo eu. Bem no estilo Wood Allen.

Ps. O que tem haver o trecho da música lá encima?? Certamente a coragem de dizer tudo aquilo que não consigo, principalmente fazer os segundos virarem muito tempo, e, intensamente, fazer o muito tempo virar segundos.

Com atraso, receio e desculpas,

Carolina.

8 comentários:

Natasha disse...

Vc falando de acaso e de tomar decisões diferentes que mudam a nossa vida. Meunamoro começou assim, conheci meu namorado, com quem estou há 6 anos, por telefone. Aquele história de amigo da minha amiga que combina e quea gente nuca liga pq pensa 'putz, eu, nunca vou ligar pra um desconhecido!absurdo!' foi o que eu pensei tb, mas do nada mudei de idéia e liguei. Anos depois ainda estamos aí...vc pode chamar de acaso, destino, sorte, macumba, sei lá, eu chamo de amor.
Realmente nossas decisões designam os caminhos da nossa vida.
Sorte com os seus.

bjs, linda.

ps: no meu Lj tem um presente pra vc.
http://berinjelinha.livejournal.com/

Mulheres de Atenas disse...

CArolina, vc me surpreende a cada dia. Teu texto, que vc definiu como: "sem pé nem cabeça" ficou ótimo, com cabeça, ombros, membros, roupas, sapatos e até echarpe! rs
Já te disse que há muitas formas de abrir as portas, mas todas elas dependem de uam atitude. Lindo o poema da Florbela.
Será q são receosas no amor essas mulheres de athenas? hehe
bjs
beatriz

Mulheres de Atenas disse...

Nós, mulheres de Atenas, assim como as mulheres realmente de Atenas, temos receios com o amor sim... As verdadeiras mulheres de Atenas, conforme diz a história, não podiam viver o amor. Suas relações eram frutos de arranjos e até estratégias políticas e para enriquecimento da família. Nós, embora possamos viver o amor, muitas vezes temos medo e acabamos deixando-o morrer por falta de iniciativa. Este texto, muito bem escrito como sempre, meche com este ‘sentimento’, este receio e a culpa que sentimos quando não falamos e fazemos o que deveríamos... Cograts coleguinha! Bjão

Maiara Mei disse...

Oi, minha mais nova amiga!
Parabéns pelo seu texto, você escreve muito bem!!!! E até me identifiquei quando você falou dos "encontros ao acaso", porque foi isso o que aconteceu com a gente!
Vamos manter contato, seja para rir ou para chorar (aiaiai) hehehe
Ah! Minha viagem levou 15 horas!!!!!!! Putz, um saco...
Boa sorte!
Beijão
Maiara

KAKA disse...

socorrrrrrrrrooooooo não é só aqui, mas estou tentando deixar coment mas não consigo, provavelmente esse conseguirei, já que não tem nada do que senti lendo suas linhas, hummmf que droga, tento amanhã, se não apagar de novo bjim

Maiara Mei disse...

Ah bão!! hehehe! E aí? Já saiu o resultado do trainee?? Ai meu Deus, quando demora assim, até me dá medo...
Se souber de algo, me escreva:
maiaramei@gmail.com

Neto disse...

uhuul, bem massa o texto carol, e num eh q eh assim neh, a vida nem sempre eh aquilo que idealizamos, e coooomo idealizamos, eu viajo demaaais, ashushau
bjos bjos, continuarei aki lendo os textos...
gostei

Alcione Torres disse...

Às vezes precisamos que os outros falem por nós o que precisaríamos falar! Tbm uso muito a música para isso!
Parabéns pelo blog!
Abs.
Sarapatel de Coruja