terça-feira, 18 de maio de 2010

Ela partiu...

Lembrou daquela noite em que tinha a visto pela última vez. Lembrou que o seu toque não foi suave como costumava ser. Num momento de fúria tinha empurrado-a com força para longe de si. Agora, conseguia ver que aquele gesto guardava em si as mágoas que o tempo havia acumulado até o certeiro momento. Fazia muito frio lá fora, a casa estava cheia, as luzes apagadas, os olhares se cruzavam a todo momento, mas eles não conseguiam ler o que a íris estava a dizer. Foi aí que ela se aproximou, começou a falar-lhe ao ouvido, de um jeito manso, querendo arrancar um carinho sequer. Ele lembrou dos últimos fatos transcorridos, a mente resgatou umas verdades arranjadas, mentiras dissimuladas, e a voz suave e mole não lhe convenceu. Ela continuou sibilando ao ouvido, querendo conquistá-lo, fazendo insinuações. Ele não queria se render, sentiu, de repente, um asco e a repulsou pra longe, pegando-a pela cintura e jogando-a em cima das pessoas que estavam perto. O escuro se fez ainda mais, e a única coisa que pôde ver foi o vermelho dos olhos dele. Nada entendeu, nada escutou. Logo depois, num segundo, ele viu a porta balançar, um vulto ligeiramente sair e, dela, apenas um perfume no ar.

Lola

8 comentários:

Graci Polak disse...

Ela foi macho como algumas deveriam ser.

Fez bem.

Felipe Beijamini disse...

Ela foi macho, e ele bunda mole.

maikiara disse...

Eu já acho q ele cansou de ser trouxa.

Mulheres de Atenas disse...

O importante é ter coragem para colocar um fim numa relação não-saudável!
Bj, Lily

ONG ALERTA disse...

Tudo tem o tempo que precisa...paz.

Daniel Savio disse...

Se não damos o devido valor a nós mesmos, quem o dará?

Fique com Deus, menina Lola.
Um abraço.

Amor feito Poesia disse...

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

Cecília Meireles

Beijos poéticos e perfumados neste final de noite! M@ria

Wanderley Elian Lima disse...

Oi Lola
Muitas vezes as mágoas vão se acumulando com o tempo, mas chega um momento que as comportas se abrem e a água descem descontroladamente. Aí é o fim de tudo, não adianta tentar.
Beijos