sábado, 15 de novembro de 2008

Desabafo sem métrica

"Cadê a tampa da pasta de dentes?
Minha escova, onde eu deixei?
O espelho me olha impaciente
Eu ia me encontrar e me atrasei..."


De como se perder...

Carolina nunca gostou de escrever frases com reticências. Achava sempre muito tosco uma pessoa escrever orações verbais e deixar aqueles três pontinhos no final, como se não conseguissem racionar ou dar um ponto final em coisas simples.

Mas atualmente ela tem escrito nove em cada dez frases com reticências e ao escrevê-las também saboreia o gosto de sentir-se reticente, em tudo. Na verdade, tem lembrado que as coisas não se decidem de um momento pro outro e talvez nunca se resolvam, por isso a importância de manter a calma e seguir em frente, por pior que seja.

Acho que por algum tempo tinha esquecido que - tudo - quanto mais simples mais complexo. Uma manhã levantou sem saber o que fazer com a vida que não ia muito bem e novamente sentiu outro gosto, de que era muito fácil se perder pelo caminho. Pensou nisso porque algumas coisas sempre estavam certas no seu papel de planos para o futuro, mas de uma hora pra outra levou um tombo, daqueles que demoram pra levantar e nunca mais soube o que fazer.

Percebeu que o que mais a incomodava era o fato de que não conseguia ver nada à frente, e sentiu-se vazia como nunca cogitou sentir-se, nem em seus sonhos mais loucos o subconsciente deixava isso acontecer. “Realmente é fácil perder-se...”, falou baixinho com medo e com as reticências.

A partir daí colocou uma meta na cabeça – uma nota mental como diria sua amiga Beatriz. “Encontrar-se”. Uma só palavra, simples assim. Mas no simples vocês já sabem o que existe. E só.



Da ausente Carolina.

6 comentários:

Mulheres de Atenas disse...

Que gostoso ler seu texto, Carolina!
Te reencontrar fez bem para mim. E ao me despedir de vc (juro!) fiz uma prece comigo mesma para q vc se encontre.

Até pq, como já disse, tenho medo de te perder. Assim como todas as pessoas boas que passam no meu caminho.

Te amo.
Bia

Guilherme Xavier disse...

Adoro escrever com reticências.
Sempre...

Celliinha disse...

As vezes o sentimento fala mas alto do q a metrica.
Encontrar-se, é algo q trancende!!
O importante é manter o foco...

Se perder em reticencias e em redundancias tbm é necessario...

Beijão

www.maisq1historia.blogspot.com

Paulinha Fernandes disse...

Ahm, eu gosto tanto de reticências...
mas analisando pelo que você escreveu, fiquei com medo... porque eu geralmente não sei o que fazer...
ahm... e realmente, é dificil eu terminar com um ponto final! mas hoje eu vou, prometo!
então, até!
gostei do blog... simples assim!
se vc se encontrar, me explica o caminho?
=)
entao, ateh lah.

Mulheres de Atenas disse...

Já escrevi sobre as reticências, mas, como acontece quase sempre, nunca publiquei. Ao contrário de você, não acho negativos estes três pontinhos. Eles não indicam que não nos encontramos, mas que estamos sempre pensando, não somos conclusivas, estamos abertas às novas idéias... E aí estão elas de novo! Não as vejo com maus olhos!
Saudade... (essa palavra merece reticências!)
Bjs

Ana Carolina Dinardo disse...

Nossa... com reticências porque é de fato lindo e emocionante.