quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Elefante branco

Coisa de foca
Buscando inspiração para escrever, fui olhar um diário de dois anos atrás. Não encontrei o que buscava, mas, continuando a nos descrever, encontrei esta pequena reflexão, que escrevi no último ano de faculdade. Talvez eu não acredite mais nele como acreditava antes, mas ainda demosntra um pouco do idealismo que existe em mim, apesar da prostituição, se é que me entendem... Somos todas jornalistas, então o texto não irá me denunciar. Talvez o estilo, ou a falta dele, sim...
Ser jornalista é coisa para sonhadoras. Nós, que trabalhamos com a realidade, somos no fundo um bando de sonhadoras. Sonhamos com um mundo melhor. Mostramos o real com a esperança de que possamos contribuir para que tudo se transforme. E nenhum de nós há de esquecer do primeiro dia de aula, com a turma dos calouros completa, todos em círculo para as apresentações: ‘Meu nome é Helena de Tróia, vim da Antiguidade, interior do Paraná. Escolhi ser jornalista porque eu quero mudar o mundo’. Tomara que o pensamento dos calouros de ontem não mude e que os veteranos, tanto na faculdade quanto na profissão, jamais esqueçam essas palavras e lutem por esse ideal. Talvez ainda possamos contribuir para um mundo melhor...


Sobre filmes e sonhos
‘Coisa de foca’ foi apenas algo que surgiu ao acaso, o que quero dizer hoje não tem nada há ver com isso. Na verdade, talvez tenha. Pois quero falar sobre filmes e sonhos. E todo jornalista, como disse, é sonhador.
E o que mais me faz sonhar são os filmes. Não consigo entender e acho que ninguém jamais conseguirá explicar porque essas histórias alheias nos atraem tanto. A maioria não é real e muitas vezes nem fazem sentido, mas há sempre um campeão de bilheterias, que leva milhares de pessoas ao cinema em menos de uma semana. Noutras vezes não arrebatam multidões, mas os poucos que os assistem não conseguem evitar a paixão e o envolvimento.
Eu já me apaixonei por personagens. Fui tão apaixonada por Patrick Swayze, de Dirty Dancing, quanto pelo meu primeiro amor. Hoje eu o acho feio, assim como o meu primeiro amor (rs), mas ainda gosto da história, tanto a do filme quanto a do amor.
Assisto Amelie Poulain, porque assim como ela eu sonho acordada e um anão de jardim me faz viajar mundo afora, imaginando o que as pessoas fazem e quantas o fazem ao mesmo tempo. Para ter certeza que minha loucura é normal, vejo um pouco de Almodóvar que é mais louco do que eu e mais normal que muita gente por aí.
Não dispenso Woody Allen e Spielberg, mas não nego que sou muito mais Hugo Carvana, com seu ‘Homem Nu’ e o ‘Vai trabalhar vagabundo’. Hoje assisti ‘Coisas de família’, com Paul Reiser, do seriado ‘Mad about you’ (e cá entre nós qualquer diretor ou ator bonitinho me perde para esta série!). Nem sei quem é o diretor, mas o filme é bom. Assim como Peixe Grande, fala da relação familiar, como ela deve ser pensada, duvidada e relatada.
Cinema Paradiso me faz chorar. Alias, muitos filmes me fazem chorar, não sei nem porque. Talvez, assim como Alfredo, precisamos chorar e ficar cegos para podermos ver melhor. Outros, não tão clássicos, verdadeiros ‘filminhos’ para adolescentes, romances água com açúcar, como ‘Minha vida sem mim’ e ‘Um amor para recordar’, também me levam às lágrimas.
No Ano Novo, recebi um presente, que não foi feito especialmente para mim, mas que o recebi como um presente quando o encontrei na TV: um documentário sobre Charles Chaplin e suas obras. Sempre gostei dele, mas a princípio não compreendia como uma moça de 16 anos se apaixonou por ele, quando ele já tinha 53, a ponto de casar-se e ter oito filhos. Depois de vê-lo com mais de 70, ainda brincando e fazendo acrobacias com os filhos e discursando contra a xenofobia quando os Estados Unidos e a Europa viviam o auge do preconceito, até eu me casaria com ele.
Ainda com Chaplin fico a imaginar que, na dança com o globo, sou eu quem está lá, no comando do mundo. Embora eu tenha a certeza que não quero comandar esta loucura. O homem nasceu para ser livre, concluo. Acho que as metáforas de Chaplin são muito mais para se refletir do que para sonhar, assim como são as de ‘Deus e o diabo na terra do sol’ e todos os filmes de Glauber Rocha.
O único problema que vejo nos filmes é que por causa deles acredito em finais felizes. Às vezes chego até a pensar que serei como a protagonista de Julles e Jill, com dois homens aos meus pés. Sonhos... não os julguem, afinal são apenas devaneios.
Enfim, entendo pouco de cinema, mas gosto bastante. Assim como entendo pouco dos homens e o restante da frase você já sabe...
Tenho mais alguns dias de férias. Então fico aqui, com meus filmes e suas metáforas.

Um abraço,
Helena

PS: Porque escolhi Helena? Porque assim como na canção de Chico, hoje eu durmo... Sem acalantos, mas durmo. Talvez, hoje também eu tenha escolhido Helena pelo significado do nome. Dizem que quer dizer tocha de luz, que indica uma pessoa que parece estar sempre olhando para dentro de si em busca da sua verdadeira personalidade. Se está correto eu não sei, mas posso afirmar que em meu coração há uma Helena em busca de si mesma, a Helena que vos escreve.

3 comentários:

KAKA disse...

me remeti aos meus sonhos!! tenho uma postagem de "25/03/2007 a 03/03/2007" que fala sobre isso...
não pude evitar e fui ler novamente! bjim

Mulheres de Atenas disse...

Urrullllllllllll
adorei o post, Helena.
Ótimo início.
Que venham outros..
Beijos e curta as férias.

Mulheres de Atenas disse...

Queria saber escrever igual a ela.
Uma grande sensibilidade, bom gosto e saber se expressar assim. Estou até com medo do próximo. HEhehe
Bjos