Sempre quando começo um texto acho que o assunto é piegas, tantos já foram os que escreveram sobre tudo, que qualquer coisa que se vá dizer parece cair na cópia e imitação. Mas tudo bem, quem sabe um dia se invente uma fórmula mágica de genialidade e pronto, só beber a poção e virar um gênio da escrivinhança. (Enquanto isso segue a confusão de alhos com bugalhos).
A idéia de atingir o inatingível é comum na infância. Quando se é criança sempre há a impressão de que a gente pode vir a ser tudo o que a imaginação permitir, e lá se vão sonhos em virar astronauta, jogador de futebol, atriz de cinema, paquita (90´s), salva-guarda de animaizinhos indefesos e qualquer outra coisa mirabolante.
Na minha, sempre fui uma aluada. Até não sei por que não acabaram me dando o apelido de “da lua”, como tantos outros receberam. Na verdade, acho que sei o porque: sempre deixei tudo muito escondido, só no pensamento. Vontades e desejos eram o que dominavam as minhas invenções. Lá pelos seis, sete, tudo o que eu mais queria na vida era obter uma espécie de placar eletrônico na testa de cada pessoa, só pra saber o que ela pensava sobre os mais variados temas.
Mas isso não veio à toa, a idéia surgiu durante a mais arrebatadora paixão platônica que tive na infância. Queria tanto saber de quem gostava o menino que eu gostava, que ficava imaginando como seria bom ter aquela tela bem no meio da testa do coitado. Mas não conheci nenhum Einstein a tempo de me ajudar na laboriosa invenção.
Contudo, isso não me impediu de fazer as mais românticas e loucas viagens ao lado do tal menino. Eu ia com ele dar uma volta na Ferrari do amigo do Ferris Bueller, em “Curtindo a vida adoidado”; ficava na praia escrevendo o seu nome na areia, ao som da “Quatro semanas de amor”, do Lairton; inventava casinhas em miniatura na nossa vida a dois; ia para tantos lugares que chegava cansada no outro dia de aula. Mas revelar meu segredo, NUNCA.
Quando se é criança tudo fica loucamente fácil. “Pai, me faz um cheque aí pra comprar minha Caloy”, - ignorando o fato da necessidade de ter dinheiro no banco para pagar a dita cuja – e o que ganhava era uma Monareta reformada. Além do par do príncipe encantado, já quis ser daquelas bailarinas que patinam no gelo, jogadora de volei, decoradora e geófrafa. Por último sonhei em descobrir lugares, ser cidadã do mundo. Virei jornalista (?), que trabalha numa assessoria de imprensa e que pode, enfim, queimar seu diploma.
Acho que ainda preferiria ser a tresloucada da infância – que exemplo!!!
Ass. Louquiza.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
sexta-feira, 12 de junho de 2009
In The Mood For Love
“É um momento de inquietação. Ela mantém a cabeça baixa para que ele se aproxime mais. Mas ele não é capaz, por falta de coragem. Ela se volta e se afasta.”
“Ele se recorda desses anos perdidos. Como se olhasse através de uma janela empoeirada. O passado é algo que ele pode ver, mas não tocar. E tudo o que vê agora está turvo e mal definido.”
“- Só tinha curiosidade em saber como tinha começado. Agora já sei... Os sentimentos podem crescer de repente.”
Mais! - http://www.contracampo.com.br/criticas/inthemoodforlove.htm
O que se é.
Luíza.
“Ele se recorda desses anos perdidos. Como se olhasse através de uma janela empoeirada. O passado é algo que ele pode ver, mas não tocar. E tudo o que vê agora está turvo e mal definido.”
“- Só tinha curiosidade em saber como tinha começado. Agora já sei... Os sentimentos podem crescer de repente.”
Mais! - http://www.contracampo.com.br/criticas/inthemoodforlove.htm
O que se é.
Luíza.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Discurso impotente
Quando cai um avião, cai também o nível da cobertura jornalística brasileira. Acho triste e me solidarizo com passageiros e familiares. Porém, é nestes momentos que vejo como o jornalismo brasileiro é elitista e peca na cobertura de certas áreas.
Todos os meses, apenas no Brasil, dezenas de pessoas morrem diariamente em acidentes de trânsito. Voar é muito mais seguro do que andar de carro e estatísticas que comprovam isso não são novas. Entretanto, problemas que atingem muito mais a sociedade brasileira, recebem menos atenção. Chego a pensar que é proporcional: quanto mais importante é para o cidadão comum, menos relevante é para a mídia.
Em poucas ocasiões, reportagens especiais mostram a realidade das estradas. Exploram-se os personagens e algumas promessas de melhorias são conseguidas. Em pouco tempo, os repórteres viram as costas e anos depois voltam com aquele ar de satisfação para mostrar que nada mudou, que o buraco continua no mesmo lugar.
Quando um grupo de resistência mata civis noutros países, a mídia cobre como se a morte de dezenas de pessoas diariamente com a violência brasileira não fosse tão incidente e até banal. É claro que a dor é para todos os homens e todos sofrem a morte de forma igual. Contudo, para a mídia, a morte de uns parece ser mais pesada que a morte de outros.
Lembro-me de um acidente que por pouco não vi acontecer. Fui uma das primeiras a parar, o socorro ainda não havia chegado. Cinco pessoas de uma mesma família morreram. O acidente rendeu poucas linhas nas colunas policiais locais. Naquele lugar, em dia de chuva, a água continua a se acumular. Ninguém mais se importou. Quando morreram meus amigos, foram três, dois eram irmãos. A vida de uma família inteira se modificou. Nenhum deles ia a Paris, voltavam para casa.
No Rio de Janeiro, logo depois de assumir o governo, a nova administração criou a Secretaria de Ordem Pública, que com o projeto Choque de Ordem está retirando ambulantes e camelôs das ruas. O que eles querem? Que quem recebe 500 reais por mês pague 20% de impostos, mais contador?
Esse discurso é antigo e sinto-me no primeiro ano de faculdade, quando demonizávamos com orgulho a Globo. É um discurso impotente, mero desabafo. O mais triste de tudo isso é ver que algumas coisas nunca mudam.
Com o coração de estudante (esperançoso e enraivecido),
Terezinha
Todos os meses, apenas no Brasil, dezenas de pessoas morrem diariamente em acidentes de trânsito. Voar é muito mais seguro do que andar de carro e estatísticas que comprovam isso não são novas. Entretanto, problemas que atingem muito mais a sociedade brasileira, recebem menos atenção. Chego a pensar que é proporcional: quanto mais importante é para o cidadão comum, menos relevante é para a mídia.
Em poucas ocasiões, reportagens especiais mostram a realidade das estradas. Exploram-se os personagens e algumas promessas de melhorias são conseguidas. Em pouco tempo, os repórteres viram as costas e anos depois voltam com aquele ar de satisfação para mostrar que nada mudou, que o buraco continua no mesmo lugar.
Quando um grupo de resistência mata civis noutros países, a mídia cobre como se a morte de dezenas de pessoas diariamente com a violência brasileira não fosse tão incidente e até banal. É claro que a dor é para todos os homens e todos sofrem a morte de forma igual. Contudo, para a mídia, a morte de uns parece ser mais pesada que a morte de outros.
Lembro-me de um acidente que por pouco não vi acontecer. Fui uma das primeiras a parar, o socorro ainda não havia chegado. Cinco pessoas de uma mesma família morreram. O acidente rendeu poucas linhas nas colunas policiais locais. Naquele lugar, em dia de chuva, a água continua a se acumular. Ninguém mais se importou. Quando morreram meus amigos, foram três, dois eram irmãos. A vida de uma família inteira se modificou. Nenhum deles ia a Paris, voltavam para casa.
No Rio de Janeiro, logo depois de assumir o governo, a nova administração criou a Secretaria de Ordem Pública, que com o projeto Choque de Ordem está retirando ambulantes e camelôs das ruas. O que eles querem? Que quem recebe 500 reais por mês pague 20% de impostos, mais contador?
Esse discurso é antigo e sinto-me no primeiro ano de faculdade, quando demonizávamos com orgulho a Globo. É um discurso impotente, mero desabafo. O mais triste de tudo isso é ver que algumas coisas nunca mudam.
Com o coração de estudante (esperançoso e enraivecido),
Terezinha
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Eu quis comer você
Uma vez escrevi o seguinte - naquela parte do perfil do Orkut onde você deve responder o que aprendeu com relacionamentos anteriores: “Calma, baby! Um convite para um encontro não é um pedido de casamento, muito menos uma declaração de amor”. Tanta era a raiva do cara que recusou uma proposta pra tomar um suco comigo num lugar descontraído.
A gente erra quando fica imaginando coisas muito além do que elas são, admito! Mas tenho um ódio profundo dos seres que acreditam que isso é regra. Quem disse que o convite do suco não era apenas um suco mesmo? Por que o medo de conhecer quando se é um ser sociável?
Da próxima vez que te fizer um convite seja simpático e sorria, porque talvez eu queira comer você, depois do suco, é claro!
# http://www.youtube.com/watch?v=-cwY7UG8jIU (não tinha o link no MP3tube)
Luiza.
A gente erra quando fica imaginando coisas muito além do que elas são, admito! Mas tenho um ódio profundo dos seres que acreditam que isso é regra. Quem disse que o convite do suco não era apenas um suco mesmo? Por que o medo de conhecer quando se é um ser sociável?
Da próxima vez que te fizer um convite seja simpático e sorria, porque talvez eu queira comer você, depois do suco, é claro!
# http://www.youtube.com/watch?v=-cwY7UG8jIU (não tinha o link no MP3tube)
Luiza.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Eu quero ser Drew Barrymore!
Ela é linda, tem uma estrela na calçada da fama, tem dinheiro, tem 33 quando aparenta 18, já escreveu um livro, seus avós são atores de ótimos filmes, recebeu vários prêmios e já beijou (ao menos tecnicamente) muitos dos atores mais lindos que andam por aí...
Drew Barrymore e suas lindas histórias de amor estão me perseguindo... Em 15 dias, assisti a três filmes com ela. Daqueles que sabemos que não acontecem na vida real, mas nos deixam com uma vontade tremenda de que sejam verdadeiros... Daqueles que você jura que não vai suspirar, mas não se segura quando ela beija o mocinho no final. Daqueles que você não deveria estar assistindo porque precisa trabalhar, ler, limpar a casa, mas não levanta do sofá.
O que não é o melhor, mas é aquele com o qual a minha vida mais se identifica é “Ele não está tão a fim de você”. O nome já diz tudo, nem preciso explicar. Porém, o filme terminou melhor do que as histórias relatadas no livro e isso me deixou um pouco insatisfeita, afinal, as pobres mulheres que não leram o livro deixam o cinema com aquela ponta de esperança de que um dia isso tudo vai dar certo.
Para Drew Barrymore, tudo termina bem. Eles sempre são lindos e se não são tem aquele charme ao qual ninguém resiste. Eu, ultimamente, não busco charme nem beleza. Basta um perfil no orkut que não conste a palavra ‘casado’ na descrição... Quem sabe um chat com o nick ‘coração solitário’ dê certo! (Aff... a situação nem é tão horrível assim!).
Na verdade, na maioria das vezes a Drew Barrymore me irrita. É irritante esta folia de sempre ter que chamá-la pelo nome completo. Mas não consigo dizer apenas Drew... Não somos assim tãoooo íntimas!!! Ela faz papéis de adolescentes, quando sabemos que já passou dos vinte há algum tempo...
O melhor de tudo, é que ela é artista de cinema, não de novela! Tudo acontece instantaneamente! A parte ruim é que o que é bom dura pouco, mas o que não é tão bom assim passa logo!!!
Amor em jogo, os garotos da minha vida, como se fosse a primeira vez, nunca fui beijada, afinado no amor... Só filme estilo ‘sessão de sábado’... Eu gosto dos mais filosóficos, alternativos, mas não resisto à Drew e suas love stories...
Aiiiii gente!!!! (Se não leu esta exclamação com a ênfase que merecia, leia novamente!) Bem no fim, I don’t wanna be Drew Barrymore! Ela também está solteira!!!!
Terezinha Barrymore
Drew Barrymore e suas lindas histórias de amor estão me perseguindo... Em 15 dias, assisti a três filmes com ela. Daqueles que sabemos que não acontecem na vida real, mas nos deixam com uma vontade tremenda de que sejam verdadeiros... Daqueles que você jura que não vai suspirar, mas não se segura quando ela beija o mocinho no final. Daqueles que você não deveria estar assistindo porque precisa trabalhar, ler, limpar a casa, mas não levanta do sofá.
O que não é o melhor, mas é aquele com o qual a minha vida mais se identifica é “Ele não está tão a fim de você”. O nome já diz tudo, nem preciso explicar. Porém, o filme terminou melhor do que as histórias relatadas no livro e isso me deixou um pouco insatisfeita, afinal, as pobres mulheres que não leram o livro deixam o cinema com aquela ponta de esperança de que um dia isso tudo vai dar certo.
Para Drew Barrymore, tudo termina bem. Eles sempre são lindos e se não são tem aquele charme ao qual ninguém resiste. Eu, ultimamente, não busco charme nem beleza. Basta um perfil no orkut que não conste a palavra ‘casado’ na descrição... Quem sabe um chat com o nick ‘coração solitário’ dê certo! (Aff... a situação nem é tão horrível assim!).
Na verdade, na maioria das vezes a Drew Barrymore me irrita. É irritante esta folia de sempre ter que chamá-la pelo nome completo. Mas não consigo dizer apenas Drew... Não somos assim tãoooo íntimas!!! Ela faz papéis de adolescentes, quando sabemos que já passou dos vinte há algum tempo...
O melhor de tudo, é que ela é artista de cinema, não de novela! Tudo acontece instantaneamente! A parte ruim é que o que é bom dura pouco, mas o que não é tão bom assim passa logo!!!
Amor em jogo, os garotos da minha vida, como se fosse a primeira vez, nunca fui beijada, afinado no amor... Só filme estilo ‘sessão de sábado’... Eu gosto dos mais filosóficos, alternativos, mas não resisto à Drew e suas love stories...
Aiiiii gente!!!! (Se não leu esta exclamação com a ênfase que merecia, leia novamente!) Bem no fim, I don’t wanna be Drew Barrymore! Ela também está solteira!!!!
Terezinha Barrymore
terça-feira, 19 de maio de 2009
Questão de ângulo
- Não estou a fim de vê-lo hoje. sei lá, já estou de pijama... Mas queria que ele viesse! Que ele tivesse vindo me ver! Insistido para me encontrar! Dito que me ama! Paradoxal? Eu sou.
- Hahaha Você é demais para ele. E até para mim.
- Meu problema é que me acho muito. Muito pouco.
- Vou repetir. Você é demais.
- Eu sou o verme do cocô do cavalo do bandido.
- Você é o perfume da princesa roubada pelo bandido a cavalo.
- Hahaha Você é demais para ele. E até para mim.
- Meu problema é que me acho muito. Muito pouco.
- Vou repetir. Você é demais.
- Eu sou o verme do cocô do cavalo do bandido.
- Você é o perfume da princesa roubada pelo bandido a cavalo.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Acordou meio “em crise”
Ela acordou meio em crise. Na noite anterior nerdeando pelos chats desse mundo virtual, deparou-se com fatos que a levaram acreditar que cada número à esquerda alterado na somatória da idade de uma pessoa, surgia uma nova crise.
Ouviu e enxugou lágrimas de amigos e conhecidos dos vinte e poucos, dos trinta e poucos, dos quarenta e poucos, dos cinqüenta e poucos... ok, já era o suficiente. Depois disso, não com muito custo, iniciou um curto processo de sistematização:
- Os jovenzinhos, dos vinte e poucos reclamavam da crise (existencial, que fique claro!): era a dúvida pela escolha do curso superior certo, seguida pela procura de emprego, vontade de sair de casa e achar um cantinho longe da asa da pobre mãezinha protetora, sede e pressa de ver as coisas todas ajeitadas, e tantas outras inquietações.
- Depois... Ahhhh! Os trinta e poucos. Empreguinho conquistado – tá, não é lá essas coisas, mas enquanto não surgir outro, tudo bem! Correr atrás de aperfeiçoamento, com muito custo tentar a conquista da promoção no empreguinho e, “por favor, tenho que arrumar um companheiro (a), afinal quero ter filhos!” “Cadê esses homens??? Cadê essas mulheres, só querem usar e jogar fora???” “Bá, o tempo está passando rápido demais...”
- “Já é hora de fazer plástica? Tirar as gordurinhas? Começar a academia? Comprar a última versão do creme antirrugas??” Põats!! Chegou os quarenta e poucos. “O emprego não foi o que eu desejei quando entrei na faculdade. Acho que poderia ter feito outro curso”. “Amanhã começo a pensar no meu plano de aposentadoria, afinal, corre o tempo...” “Ahhh, e esse companheiro (a)? Bem que minha mãe avisou...”
- Nos cinquenta e poucos? “Eu poderia ter feito tantas coisas, porque não fiz tudo diferente”. “Ahh, se eu tivesse convidado aquele menino pra tomar um sorvete na lanchonete, andar com a gente, me ver de perto, ouvir aquela canção do Roberto”. “Ahh, se soubesse antes o que sei agora”.
Exausta voltou do exercício mental, fez uma xícara de café e foi sentar-se ao sofá. Não era possível reduzir TUDO a isso de agora pouco. Puxou um livro de poesias que estava sobre a mesa de centro e abriu uma página aleatoriamente. Suspirou. Estava lá, uma boa resposta. Nem sempre é preciso pensar em tudo sozinha:
“e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e olhando nos meus olhos
acho que ganhei o tempo
de lá para cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando”
[V. Mosé]
Luiza.
Ouviu e enxugou lágrimas de amigos e conhecidos dos vinte e poucos, dos trinta e poucos, dos quarenta e poucos, dos cinqüenta e poucos... ok, já era o suficiente. Depois disso, não com muito custo, iniciou um curto processo de sistematização:
- Os jovenzinhos, dos vinte e poucos reclamavam da crise (existencial, que fique claro!): era a dúvida pela escolha do curso superior certo, seguida pela procura de emprego, vontade de sair de casa e achar um cantinho longe da asa da pobre mãezinha protetora, sede e pressa de ver as coisas todas ajeitadas, e tantas outras inquietações.
- Depois... Ahhhh! Os trinta e poucos. Empreguinho conquistado – tá, não é lá essas coisas, mas enquanto não surgir outro, tudo bem! Correr atrás de aperfeiçoamento, com muito custo tentar a conquista da promoção no empreguinho e, “por favor, tenho que arrumar um companheiro (a), afinal quero ter filhos!” “Cadê esses homens??? Cadê essas mulheres, só querem usar e jogar fora???” “Bá, o tempo está passando rápido demais...”
- “Já é hora de fazer plástica? Tirar as gordurinhas? Começar a academia? Comprar a última versão do creme antirrugas??” Põats!! Chegou os quarenta e poucos. “O emprego não foi o que eu desejei quando entrei na faculdade. Acho que poderia ter feito outro curso”. “Amanhã começo a pensar no meu plano de aposentadoria, afinal, corre o tempo...” “Ahhh, e esse companheiro (a)? Bem que minha mãe avisou...”
- Nos cinquenta e poucos? “Eu poderia ter feito tantas coisas, porque não fiz tudo diferente”. “Ahh, se eu tivesse convidado aquele menino pra tomar um sorvete na lanchonete, andar com a gente, me ver de perto, ouvir aquela canção do Roberto”. “Ahh, se soubesse antes o que sei agora”.
Exausta voltou do exercício mental, fez uma xícara de café e foi sentar-se ao sofá. Não era possível reduzir TUDO a isso de agora pouco. Puxou um livro de poesias que estava sobre a mesa de centro e abriu uma página aleatoriamente. Suspirou. Estava lá, uma boa resposta. Nem sempre é preciso pensar em tudo sozinha:
“e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e olhando nos meus olhos
acho que ganhei o tempo
de lá para cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando”
[V. Mosé]
Luiza.
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