Queria te dizer, especialmente hoje, que admiro você, pai. Que eu te levo a sério, sim. Que o teu trabalho, para mim, é motivo de orgulho. Que essas frases cheias de vírgulas são para reforçar que eu sinto um amor muito grande pelo meu, sempre, herói. E que embora esse amor seja expresso de uma forma, quase sempre, reticente, para os outros o que aparenta é que ser sua filha é uma das coisas que mais me orgulha. É o pedaço mais gritante de mim.
Eu sei, pai, que você me ama. Ama a todos nós. Mas esse amor exacerbado, embora não seja sua intenção, imprime um medo muito grande em mim. O medo de te decepcionar. Por te admirar tanto, por saber do esforço em nos dar sempre o melhor, tenho medo de não corresponder a um pingo das expectativas que você tem sobre mim.
Deve ser por isso que, na minha própria vida, sempre acho que não é o suficiente. Nunca está bom, sempre poderia estar melhor. Sempre estou me cobrando, para chegar a ser um terço da imagem que você me projeta. Para alcançar os objetivos que você gostaria que eu conquistasse. A imagem da filha bem sucedida, que te ajudará a ir mais longe.
E se eu não ajudo, pai, se eu não tento, é por puro medo de não dar certo. É por medo de me frustrar e, principalmente, de te decepcionar.
É por isso, pai, que eu aparento não ligar para o seu trabalho, para os seus feitos, para seus malabarismos constantes a fim de continuar existindo com dignidade nessa terra de loucos.
É porque eu te amo. E quero que você acredite que, senão deu certo, é porque eu não tentei. Se tentasse, com certeza conseguiria.
Ass: Rosa, filha de meu pai
P.S. Desculpe, Luiza. Não consegui sair do carma da tristeza.
sábado, 2 de maio de 2009
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Pra outra!
Uma hora, enfim, a gente percebe que existem coisas que não permitem mais se insistir, não por enquanto. Foi aquele plano de passar as férias fora do país, porque não se poupou dinheiro suficiente. Foi aquele exercício demasiado difícil que apenas com a ajuda do professor poderia ser resolvido. Foram aquelas aulas de violão abandonadas, porque não havia agilidade e nem coordenação motora para prosseguir. Foi a vontade de ir embora e mochilar mundo a fora que passou - porque não se vive do vento. Foram tantas coisas. Foram tantas negativas assimiladas que aos poucos se tornaram claramente provas de afirmações tácitas. Por hora, acabou chorare (com a licença poética).
Luiza.
Novos Baianos - Acabou Chorare
Luiza.
Novos Baianos - Acabou Chorare
sábado, 18 de abril de 2009
Contratos sociais
Andei pensando
Nem tudo é verdade,
Mas não é porque não é verdade,
Que é uma mentira.
******************************
Tem um momento da vida em que o casamento deixa de ser um direito e passa a ser um dever.
Não houve flores, mas havia música. Ele queria que fosse como nos filmes. Ela desejava algo menos comum. Um certo aroma de perfeição pairava no ar. Os olhos brilhavam e veio o pedido:
-Casa comigo?
Um silêncio constrangedor... “Quem cala consente”, pensou ele e a beijou. Ela o beijou com a mesma paixão da primeira vez. Disse não, sem saber explicar. Ele se decepcionou e todos os que esperavam a troca de alianças, a valsa e a festa também. Ela o amava. Ele a amava. Mas disse que se era assim, o relacionamento acabou. Não haveria segunda chance depois de mais de dois anos de namoro. Ela não quis argumentar. Magoado, ele saiu e foi procurar quem dissesse sim. Encontrou, casou e os filhos vieram.
Ela não guarda ressentimento, embora ainda o ame. Mas não consegue entender como se pode olhar para alguém e, de repente, ter a certeza de que se quer dormir e acordar com ela pelo resto dos seus dias. Ela quer um, dois ou até três namorados que respeitem seu espaço, quer carro e casa. Os filhos, se um dia tiver, pensa em adotar. Não que a gravidez não seja bela, se um dia acontecer, será bem vinda. Porém, ainda mais bela que a maternidade é a escolha dela. Olhar nos olhos e dizer “eu vou te amar e serei o teu refúgio”. Como será belo o amor maternal!
“Dividir a casa, aguentar o as trocas de humor, é necessário? Porque não podem ser eternos amantes, namorados e enamorados?”, questiona. “Pergunta sem resposta”, pensa. “Contratos sociais”.
******************************
Oração da mulher apaixonada
Senhor, tire-o do meu pensamento ou, por favor, coloque-me nos dele. Amém.
Nem tudo é verdade,
Mas não é porque não é verdade,
Que é uma mentira.
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Tem um momento da vida em que o casamento deixa de ser um direito e passa a ser um dever.
Não houve flores, mas havia música. Ele queria que fosse como nos filmes. Ela desejava algo menos comum. Um certo aroma de perfeição pairava no ar. Os olhos brilhavam e veio o pedido:
-Casa comigo?
Um silêncio constrangedor... “Quem cala consente”, pensou ele e a beijou. Ela o beijou com a mesma paixão da primeira vez. Disse não, sem saber explicar. Ele se decepcionou e todos os que esperavam a troca de alianças, a valsa e a festa também. Ela o amava. Ele a amava. Mas disse que se era assim, o relacionamento acabou. Não haveria segunda chance depois de mais de dois anos de namoro. Ela não quis argumentar. Magoado, ele saiu e foi procurar quem dissesse sim. Encontrou, casou e os filhos vieram.
Ela não guarda ressentimento, embora ainda o ame. Mas não consegue entender como se pode olhar para alguém e, de repente, ter a certeza de que se quer dormir e acordar com ela pelo resto dos seus dias. Ela quer um, dois ou até três namorados que respeitem seu espaço, quer carro e casa. Os filhos, se um dia tiver, pensa em adotar. Não que a gravidez não seja bela, se um dia acontecer, será bem vinda. Porém, ainda mais bela que a maternidade é a escolha dela. Olhar nos olhos e dizer “eu vou te amar e serei o teu refúgio”. Como será belo o amor maternal!
“Dividir a casa, aguentar o as trocas de humor, é necessário? Porque não podem ser eternos amantes, namorados e enamorados?”, questiona. “Pergunta sem resposta”, pensa. “Contratos sociais”.
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Oração da mulher apaixonada
Senhor, tire-o do meu pensamento ou, por favor, coloque-me nos dele. Amém.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Estado civil: solteira, cansada de procurar
Eu posso até ser uma Mulher de Atenas (ou Athenas), cheia de prerrogativas que me fazem bradar aos quatro ventos: sou autossuficiente. Eu me divirto, toda sexta e sábado (ou em apenas em um dos dois, salvo decisão ou falta de vontade da própria), eu me sustento, eu não devo satisfações para ninguém. Eu sou inteligente, não caio em conversa mole, pago minhas contas, faço meu supermercado, limpo a minha sujeira, sei cozinhar quando dá vontade, sem precisar me valer disso para arrumar marido.
Toda Mulher de Atenas que se preze se orgulha de todas essas coisas. Mas, porém, entretanto, contudo, todavia, todas nós guardamos um profundo (e sendo profundo está escondido, mas borbulhante) sentimento de inveja e raiva total em relação a mulheres que são casadinhas, namoradinhas, enfim, as que possuem seus amantes que batem cartão toda sexta, sábado, domingo, segunda, terça, quarta e, pasme!, até quinta-feira. Embora esse sentimento se travista de desprezo e até conversinhas venenosas quando as Mulheres de Athenas se reúnem para comentar: veja como ela se anula! Eu não faria isso por homem nenhum! Como ela pode estar com um cara desses? As duas mulheres que acabaram de travar o diálogo supracitado estão, sim estão, se roendo por dentro.
E chega uma hora que elas cansam de posar de moderninha solteiraça, mas também desistem de procurar. Chega um momento em que aparece um sabadão, com um ar quente que sopra do Sul carregado de promessas (tanto de você estrear sua novíssima blusa que você já comprou com más intenções, como para você encontrar o amor da sua vida) e você não se vê com nenhumíssima vontade de sair de casa. Não, a animação não vai chegar ao longo da noite. Só de pensar em passar o rímel você já boceja. Seu sofá nunca pareceu tão confortável. Você arregala o olho para a propaganda do Altas Horas e pensa: Nóóóssa, o Serginho Groismann ainda não morreu? Hey, essa banda que vai tocar no programa parece ser legal, acho que a balada ficará para a próxima.
Apesar de sua mãe vim medir sua temperatura, é perfeitamente normal que uma moça casadoira, na idade reprodutiva, no auge da empolgação, com o próprio dinheiro para gastar, diga um dia: Não, não quero sair. Ficarei em casa, curtindo a minha fossa, que não se refere a um fora recente ou a uma dor passageira, mas a fossa de toda uma vida sozinha, mal amada, sem expectativa de sair dessa condição de protótipo de Mulher Maravilha do século XXI e juntar seus trapos com um cara que nem precisa ser músico, ter barba por fazer e já ter lido Fernando Pessoa.
Fugindo da dança do acasalamento, das cervejas e das tequilas despejadas goela dentro, dos olhares não correspondidos, das cantadas dos bêbados, da vontade de morrer, dorme uma moça na noite de sábado. E antes de pegar no sono no sofá da sala, ela pensa que o problema não é que esteja procurando no lugar errado. Procurar se procura a vida inteira. Mas há momentos em que apenas o que uma mulher quer é ser encontrada. Ser pega no colo e colocada para dormir. Assim, à moda antiga.
Toda Mulher de Atenas que se preze se orgulha de todas essas coisas. Mas, porém, entretanto, contudo, todavia, todas nós guardamos um profundo (e sendo profundo está escondido, mas borbulhante) sentimento de inveja e raiva total em relação a mulheres que são casadinhas, namoradinhas, enfim, as que possuem seus amantes que batem cartão toda sexta, sábado, domingo, segunda, terça, quarta e, pasme!, até quinta-feira. Embora esse sentimento se travista de desprezo e até conversinhas venenosas quando as Mulheres de Athenas se reúnem para comentar: veja como ela se anula! Eu não faria isso por homem nenhum! Como ela pode estar com um cara desses? As duas mulheres que acabaram de travar o diálogo supracitado estão, sim estão, se roendo por dentro.
E chega uma hora que elas cansam de posar de moderninha solteiraça, mas também desistem de procurar. Chega um momento em que aparece um sabadão, com um ar quente que sopra do Sul carregado de promessas (tanto de você estrear sua novíssima blusa que você já comprou com más intenções, como para você encontrar o amor da sua vida) e você não se vê com nenhumíssima vontade de sair de casa. Não, a animação não vai chegar ao longo da noite. Só de pensar em passar o rímel você já boceja. Seu sofá nunca pareceu tão confortável. Você arregala o olho para a propaganda do Altas Horas e pensa: Nóóóssa, o Serginho Groismann ainda não morreu? Hey, essa banda que vai tocar no programa parece ser legal, acho que a balada ficará para a próxima.
Apesar de sua mãe vim medir sua temperatura, é perfeitamente normal que uma moça casadoira, na idade reprodutiva, no auge da empolgação, com o próprio dinheiro para gastar, diga um dia: Não, não quero sair. Ficarei em casa, curtindo a minha fossa, que não se refere a um fora recente ou a uma dor passageira, mas a fossa de toda uma vida sozinha, mal amada, sem expectativa de sair dessa condição de protótipo de Mulher Maravilha do século XXI e juntar seus trapos com um cara que nem precisa ser músico, ter barba por fazer e já ter lido Fernando Pessoa.
Fugindo da dança do acasalamento, das cervejas e das tequilas despejadas goela dentro, dos olhares não correspondidos, das cantadas dos bêbados, da vontade de morrer, dorme uma moça na noite de sábado. E antes de pegar no sono no sofá da sala, ela pensa que o problema não é que esteja procurando no lugar errado. Procurar se procura a vida inteira. Mas há momentos em que apenas o que uma mulher quer é ser encontrada. Ser pega no colo e colocada para dormir. Assim, à moda antiga.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Orgulhosas cicatrizes
Que pena que a gente não tem tudo ao mesmo tempo. A eterna confusão entre idade e maturidade, entre saber conciliar essas coisas que geralmente não vão pelo mesmo caminho, embora devessem. Como o Ex-estrangeiro, também queria saber antes o que sei agora, e que eu soubesse hoje o que inevitavelmente saberei amanhã, assim, deixaria viver mais cada momento.
Mas esse deixar viver é antagônico ao processo de querer o que não é nosso, e em sendo nosso entender que o é por uma variável tão sensível quanto o tempo de agora e o de segundos depois de antes. A maturidade que eu assimilaria seria a de aprender que uma pessoa dificilmente será sua a vida inteira e perder o medo de perdê-la – mesmo não a tendo.
Me dói lembrar que relacionamentos acabam e que ninguém é insubstituível. Queria ser a pessoa de alguém pela vida inteira. Carrego comigo um bobo sentimento de melancolia sempre que penso em todas as mulheres que passaram pela vida do Poetinha, pelo casamento desfeito do Leminski e da Alice Ruiz, pela quase incompreensível vida da Simone de Bouvoir e do Sartre, pelas tantas mulheres que o Chico amou e retratatou em suas músicas.
Queria – hoje - saber compreender que existem amores e parar de viajar à toa - parecendo uma eterna iludida – e, sabendo disso, poder conviver melhor com o “estar” das coisas. Também queria poder me orgulhar de diversas cicatrizes. Que, pelo menos isso, a idade me traga de bom!
“Talvez a gente esteja no mundo para procurar o amor, encontrá-lo e perdê-lo, muitas e muitas vezes. Nascemos de novo a cada amor, e a cada amor que termina, abre-se uma ferida. Estou cheia de orgulhosas cicatrizes”.
Luiza.
Mas esse deixar viver é antagônico ao processo de querer o que não é nosso, e em sendo nosso entender que o é por uma variável tão sensível quanto o tempo de agora e o de segundos depois de antes. A maturidade que eu assimilaria seria a de aprender que uma pessoa dificilmente será sua a vida inteira e perder o medo de perdê-la – mesmo não a tendo.
Me dói lembrar que relacionamentos acabam e que ninguém é insubstituível. Queria ser a pessoa de alguém pela vida inteira. Carrego comigo um bobo sentimento de melancolia sempre que penso em todas as mulheres que passaram pela vida do Poetinha, pelo casamento desfeito do Leminski e da Alice Ruiz, pela quase incompreensível vida da Simone de Bouvoir e do Sartre, pelas tantas mulheres que o Chico amou e retratatou em suas músicas.
Queria – hoje - saber compreender que existem amores e parar de viajar à toa - parecendo uma eterna iludida – e, sabendo disso, poder conviver melhor com o “estar” das coisas. Também queria poder me orgulhar de diversas cicatrizes. Que, pelo menos isso, a idade me traga de bom!
“Talvez a gente esteja no mundo para procurar o amor, encontrá-lo e perdê-lo, muitas e muitas vezes. Nascemos de novo a cada amor, e a cada amor que termina, abre-se uma ferida. Estou cheia de orgulhosas cicatrizes”.
Luiza.
terça-feira, 10 de março de 2009
Mãe não deveria morrer nunca...
Sei que textos sobre mães geralmente acabam sendo meio clichês e você nunca dirá algo que alguém já não disse, mas certas vezes é preciso, e necessário, que algumas verdades, mesmo sabidas, sejam ditas, escritas, registradas, para que as pessoas possam assimilar, principalmente a quem o desabafo se direciona. Então, que se dane!
Minha mãe é antes de tudo uma lutadora (não disse que não diria nada de novo?)! Não sei se no seu lugar, depois de ter passado por todas e tantas, eu estaria inteira. Guardo não só, mas principalmente, as melhores lembranças. Lembro que quando a caçula da casa chegou eu me deleitei. Sim, apesar de ter perdido o colo desfrutei de muitas noites dormindo ao som de sua voz que cantava pra minha nova irmã dormir no embalo de melodias de ninar.
Eu adormecia tão feliz quanto a que repousava sobre seus braços, embora o sono algumas vezes fosse interrompido pelos berros do bebê eu o desculpava, pois por sua causa eu ouvia novamente a voz doce das canções daquela alma tão serena a cantarolar.
Hoje vejo que o melhor de tudo quando se amadurece é ver a mãe tornando-se a melhor amiga. Foi assim comigo e lamento pelos anos que passei confabulando deixar a casa por motivos que só uma criança pode se chatear.
Aquela mulher que me escovava os pés até ficarem vermelhos depois de ter passado a tarde correndo no barro, aquela que tirava do meu ouvido, com grampos de cabelo, grãos de milho, trigo e qualquer outro objeto não identificado após passar tardes brincando na casa da avó, aquela que arrancava varinhas de pêssego e ameaçava curar a teimosia com umas boas varadas, aquela que passou por uma série de cicatrizações dolorosas, aquela que antes de tudo é uma mulher que também sofre, chora e sente saudade, é quem eu mais admiro, considero, me preocupo, e por quem derramo as minhas mais profundas lágrimas de saudade.
Descobri que minha mãe é muito mais corajosa do que parece, é muito mais forte do que se imagina, mesmo tendo uma flor no seu nome. Porém, ela também não é de ferro e mesmo sendo minha SUPER MÃE, passa por muitas e ruins nessa vida. Tudo que eu queria hoje é que ela, apesar de tudo, não desanimasse e soubesse que, mesmo não tendo feito tudo o que queria ou mesmo que não tenha escolhido outros caminhos que a tivessem levado para lugares melhores e mais felizes, o mais importante de uma mãe ela fez: ter conquistado o amor incondicional de não apenas uma, mas três filhas que a querem tão, mas tão bem que só de pensar me arde o peito.
“Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.”
ps. retroativo ao dia da Mulher, à minha mãe, pra mim, a melhor mulher!
Luiza.
Minha mãe é antes de tudo uma lutadora (não disse que não diria nada de novo?)! Não sei se no seu lugar, depois de ter passado por todas e tantas, eu estaria inteira. Guardo não só, mas principalmente, as melhores lembranças. Lembro que quando a caçula da casa chegou eu me deleitei. Sim, apesar de ter perdido o colo desfrutei de muitas noites dormindo ao som de sua voz que cantava pra minha nova irmã dormir no embalo de melodias de ninar.
Eu adormecia tão feliz quanto a que repousava sobre seus braços, embora o sono algumas vezes fosse interrompido pelos berros do bebê eu o desculpava, pois por sua causa eu ouvia novamente a voz doce das canções daquela alma tão serena a cantarolar.
Hoje vejo que o melhor de tudo quando se amadurece é ver a mãe tornando-se a melhor amiga. Foi assim comigo e lamento pelos anos que passei confabulando deixar a casa por motivos que só uma criança pode se chatear.
Aquela mulher que me escovava os pés até ficarem vermelhos depois de ter passado a tarde correndo no barro, aquela que tirava do meu ouvido, com grampos de cabelo, grãos de milho, trigo e qualquer outro objeto não identificado após passar tardes brincando na casa da avó, aquela que arrancava varinhas de pêssego e ameaçava curar a teimosia com umas boas varadas, aquela que passou por uma série de cicatrizações dolorosas, aquela que antes de tudo é uma mulher que também sofre, chora e sente saudade, é quem eu mais admiro, considero, me preocupo, e por quem derramo as minhas mais profundas lágrimas de saudade.
Descobri que minha mãe é muito mais corajosa do que parece, é muito mais forte do que se imagina, mesmo tendo uma flor no seu nome. Porém, ela também não é de ferro e mesmo sendo minha SUPER MÃE, passa por muitas e ruins nessa vida. Tudo que eu queria hoje é que ela, apesar de tudo, não desanimasse e soubesse que, mesmo não tendo feito tudo o que queria ou mesmo que não tenha escolhido outros caminhos que a tivessem levado para lugares melhores e mais felizes, o mais importante de uma mãe ela fez: ter conquistado o amor incondicional de não apenas uma, mas três filhas que a querem tão, mas tão bem que só de pensar me arde o peito.
“Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.”
ps. retroativo ao dia da Mulher, à minha mãe, pra mim, a melhor mulher!
Luiza.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Instinto Maternal
Começou com uma conversa informal na hora do almoço. E aí surgiu a enquete. Você quer ter filhos? Sim, pensei, abruptamente. Quero. Não agora, mas quero, sempre quis. Sempre brinquei de boneca, planejei nomes, imaginei o futuro de cada bonequinho quando crescesse. Já pensei em ter seis, quatro e dois filhos. O número foi diminuindo inversamente proporcional à consciência de quanto se gasta com um bacuri. As únicas certezas que mantive foram as de que quero ter filhos em números pares e que não terei um só.
Nunca pensei em quando teria início a encomenda da minha prole. Na verdade, como toda menina parece ser o reflexo de sua mãe, imaginava que minha sina seria a mesma. Com 23 já teria o primeiro nos braços. Mas a idade chegou e essa ideia passou longe das minhas metas. Depois que eu entrei na idade reprodutiva (e sexualmente ativa), ter um filho ficou adiado para um tempo do não sei quando, um dia quem sabe, quando a estabilidade chegar (e chega?). Porque a espera de um marido transformou-se na escolha, simplesmente, por um pai. Uma produção independente não está descartada dentro dos meus planos de carregar meus lindos bebês nos braços.
Lembrei de um livro, em que a protagonista (mais ou menos da minha idade) busca desesperadamente ter um filho. Sem namorado (que não quis levar o sonho da moça adiante) ela vai até para outro país para tornar o sonho (considerado desejo bizarro de criança mimada pelas amigas) realidade. Recordei algumas passagens de quando ela se depara com crianças e grávidas. A reação era idêntica a que eu ando tendo ultimamente:
- Meu Deus, esse bebê é a coisa mais linda desse mundo!
Tá, não é para tanto. Ele pode ser bonitinho, ter cheiro bom de talco, mas tenho certeza que aquela risadinha sem motivo aparente pode ser só para te conquistar. Para despertar em você aquele instinto maternal que dormia no fundo da sua alma.
Não sei se foi a enquete, que me fez parar para pensar nisso, ou se foi a proximidade recente com grávidas, ou ainda o amadurecimento chegando, mas a vontade absurda de ser mãe voltou. E anda latente. Uma vontade tremendamente irracional, diga-se de passagem. Para ajudar, fui a um chá de bebê de uma amiga. A cada presente aberto, os "ahhhhh" "que linduuuuu", "oinnnnn" mais altos eram meus. A futura mãe, esplêndida no seu barrigão de oito meses, também ajudou para que minha vontade de ser genitora se tornasse ainda mais forte. Descobri, sorriso nos lábios, que seu filho terá o mesmo nome que eu quero que meu filho homem tenha. (Sim, eu tenho o nome certo para o menino e para a menina que um dia eu terei.)
A vontade continuava lá, linda e pujante, até que alguém no chá teve a ideia de passar uma sacola cheia com os papéis vazios dos presentes entregues. Cada convidada deveria tirar um pacote e a última seria a felizarda futura mamãe. Tive uns três tipos de calafrios. Não, não, não vem com esse pacote perto de mim.
- Vai ter que pegar sim. Só não pega quem não pode ter filhos - disse uma mulher ao meu lado.
- Mas eu não posso!
- Não, eu digo quem já tem idade, ou fez laqueadura.
- Não posso ter um filho.
- Por quê?
- Minha mãe me mata.
Eu hein!
Filhos? AGORA, melhor não tê-los!
Nunca pensei em quando teria início a encomenda da minha prole. Na verdade, como toda menina parece ser o reflexo de sua mãe, imaginava que minha sina seria a mesma. Com 23 já teria o primeiro nos braços. Mas a idade chegou e essa ideia passou longe das minhas metas. Depois que eu entrei na idade reprodutiva (e sexualmente ativa), ter um filho ficou adiado para um tempo do não sei quando, um dia quem sabe, quando a estabilidade chegar (e chega?). Porque a espera de um marido transformou-se na escolha, simplesmente, por um pai. Uma produção independente não está descartada dentro dos meus planos de carregar meus lindos bebês nos braços.
Lembrei de um livro, em que a protagonista (mais ou menos da minha idade) busca desesperadamente ter um filho. Sem namorado (que não quis levar o sonho da moça adiante) ela vai até para outro país para tornar o sonho (considerado desejo bizarro de criança mimada pelas amigas) realidade. Recordei algumas passagens de quando ela se depara com crianças e grávidas. A reação era idêntica a que eu ando tendo ultimamente:
- Meu Deus, esse bebê é a coisa mais linda desse mundo!
Tá, não é para tanto. Ele pode ser bonitinho, ter cheiro bom de talco, mas tenho certeza que aquela risadinha sem motivo aparente pode ser só para te conquistar. Para despertar em você aquele instinto maternal que dormia no fundo da sua alma.
Não sei se foi a enquete, que me fez parar para pensar nisso, ou se foi a proximidade recente com grávidas, ou ainda o amadurecimento chegando, mas a vontade absurda de ser mãe voltou. E anda latente. Uma vontade tremendamente irracional, diga-se de passagem. Para ajudar, fui a um chá de bebê de uma amiga. A cada presente aberto, os "ahhhhh" "que linduuuuu", "oinnnnn" mais altos eram meus. A futura mãe, esplêndida no seu barrigão de oito meses, também ajudou para que minha vontade de ser genitora se tornasse ainda mais forte. Descobri, sorriso nos lábios, que seu filho terá o mesmo nome que eu quero que meu filho homem tenha. (Sim, eu tenho o nome certo para o menino e para a menina que um dia eu terei.)
A vontade continuava lá, linda e pujante, até que alguém no chá teve a ideia de passar uma sacola cheia com os papéis vazios dos presentes entregues. Cada convidada deveria tirar um pacote e a última seria a felizarda futura mamãe. Tive uns três tipos de calafrios. Não, não, não vem com esse pacote perto de mim.
- Vai ter que pegar sim. Só não pega quem não pode ter filhos - disse uma mulher ao meu lado.
- Mas eu não posso!
- Não, eu digo quem já tem idade, ou fez laqueadura.
- Não posso ter um filho.
- Por quê?
- Minha mãe me mata.
Eu hein!
Filhos? AGORA, melhor não tê-los!
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